quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ARQUIVOS DA MEMÓRIA


ARQUIVOS DA MEMÓRIA
Jorge Andréa dos Santos
 
Em se considerando o psiquismo, nossos campos de pensamento e memória ainda representam regiões desconhecidas e, como tal, suas estruturas são um grande mistério. Mais enigmáticos ainda são os arquivos da memória.
 
Pouca coisa se tem acrescentado desde a época pré-cristã, com Hipócrates, que considerava a zona cerebral como a fonte das idéias. O próprio Platão dizia que na cabeça estariam lapidadas as idéias e as fontes de suas respectivas criações. Os diálogos shakesperianos informavam que no cérebro existia a alma e Descartes a colocava como o hóspede misterioso da glândula pineal.
 
Com o advento das descobertas científicas no século XIX, o cérebro foi elevado à posição que lhe confere a biologia, sendo que os seus respectivos campos, do pensamento e da memória, foram como que interpretados como autênticos circuitos elétricos. O nosso século amplia os conceitos, porém ainda bem longe de definição, levando a idéia de que o pensamento e a memória, como exclusivos produtos da zona cerebral, funcionem como “computadores químicos”.
 
 
Figura 1
 
 PSIQUISMO EM ESQUEMA
 
1- Campo espiritual. Dimensões desconhecidas.
2- Campo perispiritual.
3- Zona física onde os comandos perispirituais se transformam em impulsos físicos, a se refletirem da base cerebral (B) para o córtex (C) ou zona de nosso entendimento psicológico.
4- O neurônio como unidade básica do sistema nervoso, com suas conexões sinápticas e esquema neurotransmissor.
 
Os campos de memória, com o advento da genética, estiveram ligados ao ADN (estrutura dos cromossomos) com seus respectivos genes, em parte confirmados por experiências detalhadas e bem criativas. A totalidade dos processos biológicos estando atados aos mecanismos genéticos dos cromossomos, a memória não poderia ser exceção. Nos campos da memória muito se tem feito em experiências psicológicas a fim de melhor entendermos as suas razões, embora continue a ser campo de muitas especulações. Segundo pesquisadores, existem no cérebro locais específicos onde dois tipos de memória se instalam: a memória factual e a memória hábil.
 
A memória factual pode mostrar-se, ora de curto, ora de longo prazo. A memória de curto prazo é passageira, fugaz e de rara fixação. A memória de longo prazo representaria o arquivo de nossos conhecimentos com suas respectivas imagens e revestimentos afetivos.
 
A memória hábil é aquela que reflete o nosso constante aprendizado, onde os múltiplos reflexos condicionados concorrem, não só no adestramento, mas, também, no reforço e afirmação dos conhecidos reflexos incondicionados, isto é, reflexos que acompanham o indivíduo desde o nascimento, pertencendo aos campos do inconsciente (o mesmo que zona espiritual), enquanto que a memória factual aparece com a maturação das células nervosas e sua respectiva rede de fibras que permitem unificação.
 
As informações dos pesquisadores situam os campos da memória como sendo elaborados na base cerebral e, ao mesmo tempo, transmitidos ao córtex cerebral, conhecido campo das atividades conscientes. Nestes mecanismos neurotransmissores, a seratonina e a adrenalina seriam elementos de importância como mensageiros químicos carregando informações de toda ordem, através da rede neuronial e as suas respectivas zonas de contato – as sinapses (ver figura1).
 
Nas elaborações musicais, idiomáticas, as equações matemáticas, etc., as pesquisas determinaram a existência de zonas específicas para cada estruturação em particular; isto é, para cada variação de música, cada tipo de idioma ou diversidades matemáticas, haveria adequados departamentos no cérebro. A localização dos arquivos da memória no cérebro, apesar de muitas e compreensíveis dificuldades de avaliações, não deve estar representada por uma única zona, deve, sim, estar distribuída por muitas regiões. É como se as funções cerebrais estivessem imbricadas participando de uma totalidade.
 
Conceitos científicos modernos falam em favor dessa proposição. Tem-se como verdade que o hemisfério cerebral esquerdo é responsável pelo aprendizado de línguas, zona de fatos lógicos e solução de problemas; poder-se-ia dizer ser o campo das análises. Quanto ao hemisfério cerebral direito, seria região respondendo pelos fatos intuitivos, artísticos, o campo onde os processos de síntese se mostrassem com todo potencial avaliativo. Apesar de tudo, não podemos deixar de compreender que os dois hemisférios cerebrais, com suas disposições funcionais, estão em constante ligação, de modo a permitir o entrelaçamento de todas as suas possibilidades de trabalho.
 
Percebe-se, diante dessa sintética visão, que a nossa ciência está muito longe de conhecer e definir os campos da memória, as elaborações dos pensamentos e outros tantos enigmas do psiquismo.. Os 25 bilhões de neurônios da nossa organização nervosa estão associados por incontáveis comunicações, diretas ou indiretas (sinapses), funcionando, cada um deles, como avançada usina produtora. Dizer que as células nervosas funcionam como autênticos computadores é não dar suficiente atenção ao processo vital. Os neurônios são "máquinas" muito avançadas e ainda desconhecidas. As comunicações entre as células nervosas ou neurônios, pela intensa rede de filamentos, são feitas às expensas das moléculas de neurotransmissores nas zonas de contato – sinapses (ver figura1); essas substâncias químicas estão avaliadas em mais de três centenas, sendo que, ainda não se conhece a fórmula química da maioria. Além do mais, os próprios neuro-transmissores sofrem influências de substâncias especiais conhecidas como neuromoduladores. Ante tal complexidade, ficamos a perguntar se o quimismo biológico, nessas delicadas, precisas e inteligentes reações, possui condições de se organizar por si mesmo, ou se existe um condutor e orientador de tão exuberante proposta?
 
É neste ainda desconhecido impulso de orientação e comando das transmissões, em pleno terreno nervoso, que deslizam os campos dos pensamentos e da memória. Será que os neurônios ou pelo menos certos grupos serão os responsáveis pelas criações do pensamento e os arquivos de memória? Ou serão essas zonas, ainda não bem definidas, porém cientificamente comprometidas, verdadeiras telas por onde um campo mais expressivo se mostre? Tudo assim faz crer. Seria um campo mais avançado, um campo energético mais bem dotado canalizando para a zona das células físicas os seus superiores impulsos e donde colheriam, também, o material que as experiências do meio ambiente fossem ofertando.
 
Esse campo magnético, mais avançado que o campo material, vem sendo observado e analisado por alguns pesquisadores, às custas das equações parapsicológicas onde muitos fatos têm encontrado resposta. A doutrina espírita de há muito situou esse campo energético como sendo o perispírito, ou psicossoma no dizer de André Luiz, e que, apesar de bem mais avançado, ainda é campo intermediário por onde o espírito orienta a zona física. Desse modo, logicamente, temos que admitir que nas ligações do perispírito com os neurônios deveremos encontrar as explicações de desenvolvimento dos pensamentos e processos de memória (ver esquema). Bem claro que não será obra dos dias atuais. As fontes de criação e os autênticos arquivos da memória estariam nas zonas mais nobres do psiquismo, isto é, no próprio espírito. Apesar de tudo, tanto a zona física quanto a perispiritual, como telas refletoras das criações do espírito, por si só devem mostrar, aqui e ali, reduzidas produções que lhes serão próprias, de modo a permitir oscilações nos biótipos psicológicos de cada ser.
 
Ampliando as idéias e conceitos podemos dizer que no espírito estaria a sede real dos processos psíquicos, no perispírito a zona intermediária e, na zona física, as telas de manifestações de nossas percepções. Assim, as zonas, perispiritual e física, teriam as suas respectivas participações nos fenômenos do pensamento e memória, cada uma delas a seu modo, sendo que a zona física estaria em contato com o meio ambiente emitindo e captando experiências, ficando o espírito com os alicerces autênticos de todo o conteúdo do psiquismo.
 
O ser humano não pode ser representado, tão-somente, por um aglomerado material de 60 trilhões de células, mas, também, por um campo energético (espírito-perispírito) de funções que se vão ampliando em aptidões diante da colheita das experiências que as reencarnações propiciam. As aptidões dos campos de memória, como todas as demais experimentações e fatos vividos, representam aquisições jamais perdidas por todos aqueles que participaram dos eventos. O avanço evolutivo só poderá ser entendido no acréscimo de aptidões, caldeadas em constantes renovações e burilamentos, por sempre novas experiências, algumas até repetidas, que as diversas e variadas personalidades físicas oferecem pelas estradas da vida.
 
 
 
 
 
 
 Com esta mensagem eletrônica
seguem muitas vibrações de paz e amor
para você
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"Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre, tal é ¡ lei"
Allan Kardec.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Informações Descabidas


Informações descabidas
Vianna de Carvalho
Quase todas as propostas idealistas, na medida em que se fazem conhecidas, perdem em profundidade o que lucram em superfície.
De igual maneira vem sucedendo ao movimento espírita, cuja divulgação merece aprofundar os conceitos doutrinários, a fim de oferecer subsídios valiosos aos iniciantes e interessados em conhecer na sua realidade legítima a doutrina libertadora da ignorância espiritual sobre a vida.
Em face da popularização dos nobres conteúdos filosóficos, pessoas inescrupulosas transformam-se de um para outro momento em pretensos esclarecedores do pensamento espírita, introduzindo as próprias ideias, em razão do quase total desconhecimento espiritista.
Não poucas vezes, presunçosos e arrogantes, criam diretrizes burlescas e teorias esdrúxulas que dizem provir do mundo espiritual, completando o que Allan Kardec não teve tempo de realizar.
Nesse capítulo, surgem movimentos denominados um passo adiante do que se encontra estabelecido na Codificação, como resultado de informações perfeitamente compatíveis com as conquistas da ciência contemporânea.
Outros indivíduos, portadores de conflitos psicológicos, projetam os seus transtornos na farta clientela desprevenida e se apresentam como portadores de mediunidade especial, caracterizada por expressiva clarividência, que lhes permite antever o futuro, detectar o presente, formular diagnósticos de enfermidades graves e resolvê-las, identificar obsessões perversas, infortúnios porvindouros... E utilizando-se da iluminação que se atribuem, apresentam fórmulas salvacionistas, propondo comportamentos incompatíveis com o bom senso e a lógica doutrinários.
É lamentável que tal fenômeno tenha lugar num movimento que pretende traduzir a grandeza do pensamento dos Imortais, com simplicidade e lógica, embora a sua grandiosa e complexa estrutura intrínseca.
Sucede que os tormentos da vaidade e do orgulho, que ainda predominam em a natureza humana, como herança do seu processo de evolução antropológica, impedem ou dificultam que o indivíduo amolde o caráter moral às novas propostas de iluminação, tornando-se-lhe mais fácil adaptá-las ao seu vicioso modo de ser.
No começo, um grande entusiasmo invade esses desprevenidos, que se deixam tocar interiormente pela significativa contribuição imortalista, logo após acostumando-se com a informação valiosa e, necessitados como se encontram, de novidades, criam, fascinados pelo próprio raciocínio, correntes de pensamento que lhes projetem o ego, a desserviço da divulgação saudável e correta do Espiritismo.
É sempre valioso recordarmo-nos da frase enunciada por João, o Batista, a respeito de Jesus, quando elucida: - É necessário que Ele cresça e que eu diminua.
Assim, agiu corretamente, porque o seu era o ministério de preparar-Lhe os caminhos, diminuindo as asperezas, que se tornaram ainda muito complicadas para vencê-las, fazendo, porém, a sua melhor parte.
Aos espiritistas, portanto, novatos ou militantes, que tudo façam para que a doutrina cresça e eles diminuam, de modo que realizem o mister que lhes cabe sem a ufania de serem inovadores, médiuns especiais e reveladores, completistas do trabalho do Codificador ou elucidadores das diretrizes fornecidas pelos Espíritos, o que lhes desvela a insensatez e a presunção, demonstrando que, não fossem eles e não se compreenderia a Revelação que, no entanto, é simples e profunda.
Também repontam os defensores do Espiritismo, sempre preocupados com a forma exterior e não com a vivência interna, quais antigos fariseus, estando sempre vigilantes para denunciar, agredir aos demais e aparecer com a bandeira da salvação, como se fossem necessários. Olvidam que a sua jornada terrestre é sempre breve, e que se o Espiritismo os necessitasse para esse fim, bem pobres seriam a sua filosofia e ética-moral, porque dependentes da sua defesa. Quando desencarnassem, como é inevitável, e tem sucedido com todos esses que assim se comportam, o pensamento espírita ficaria órfão, e logo desapareceria.
Ledo engano, a morte que a todos arrebata, não consegue diminuir o impacto e a força da Terceira Revelação que vem dos Céus à Terra, ao inverso do que alguns pensam...
A maneira mais vigorosa e própria para a divulgação do Espiritismo é a exposição dos seus ensinamentos conforme se encontram na Codificação, naturalmente apresentando contribuições convergentes, contemporâneas, sem alardes nem sensacionalismos, porquanto, os mentores da Humanidade prosseguem vigilantes, a fim de que nada venha a faltar, para que, em breve, seja conhecido e vivenciado.
Portanto, é de igual e magna importância, viver-se o dia a dia existencial fixado no programa elaborado pelo Consoladorprometido, demonstrando alegria de participar deste momento, com fidelidade ao amor e à caridade, vivenciando uma conduta moral saudável, tornando-se carta viva do Evangelho, a fim de que todos possam ver no seu comportamento o profundo e desafiador contributo que proporciona felicidade e paz.
Desse modo, não há lugar no movimento espírita para pessoas-fenômeno, para gurus de ocasião, para reveladores extravagantes, para mensagens bombásticas, para informações apavorantes, a fim de atrair adeptos temerosos do fim do mundo, do juízo final, dos umbrais, da necessidade de fazer a caridade de modo a evitar sofrimentos e quejandos...
O Espiritismo ilumina a consciência, libertando os sentimentos das prisões emocionais, das dependências de pensamento febril, facultando aos seus adeptos a responsabilidade pelos próprios atos, sempre geradores de consequências compatíveis com a sua constituição.
Doutrina da alegria, não é festeira, nem pode ser transformada em um oásis de fantasias para diversão ou frivolidade.
É uma ciência grave e simples, que se destina a pessoas sérias, laboriosas, que anelam por uma sociedade mais solidária e fraternal.
Todo o investimento de zelo e carinho, responsabilidade e amor na vivência dos seus postulados, de que se encarrega o movimento organizado pelas criaturas humanas, deve ser levado em conta, a fim de que o Espiritismo alcance a finalidade para a qual foi enviado pelo Senhor, qual seja a verdadeira construção do reino de Deus no coração.
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 5
de março de 2012, em Miami Beach, Flórida, EUA.
Em 19.07.2012.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mensagem Maria Modesto Cravo


Mensagem Maria Modesto Cravo

Meus irmãos, companheiros de Espiritismo, Deus abençoe nossos corações e nossas tarefas.
O movimento espírita é a representação do esforço do Plano Maior para a unificação do nosso povo ante os ideais inspirados pelo Alto. No entanto, percebemos que, nesse esforço de unificar o pensamento em torno de Allan Kardec, muitos irmãos nossos traduzem união por fusão de idéias.
É preciso compreender que Allan Kardec não deixou regras para se fazerem Espiritismo, reuniões mediúnicas ou se realizarem passes. O mestre Hippolyte Léon, dentro de suas observações lúcidas, estabeleceu as bases, os pilares irremovíveis: Deus, imortalidade da alma, reencarnação, mediunidade.
Na prática, houve orientações, com um respeito pela diversidade de cada povo, pela forma de cada centro, sem que as pessoas tenham de se fundir diante de uma cartilha.
O Espiritismo é liberdade, responsabilidade e trabalho incessante, com a compreensão das diferenças.
A união deve ser a base da unificação, sem nenhuma pretensão de superioridade para com aqueles que escolhem um caminho diferente dos nossos. Espiritismo é inclusão, sem nenhuma atitude excludente por parte dos que se julgam no caminho unificado.
É preciso, antes de tudo, cativar as pessoas, tornar-nos e torná-las amigos, a fim de, mais tarde, ganharmos um irmão ou um parceiro nos ideais.
Não há movimentos oficiais ou movimentos paralelos. O que existe é o grande movimento de fraternidade do qual todos fazem parte, conservando cada um a sua liberdade de interpretação e atitudes e a pluralidade que tem como base a fidelidade ao pensamento de Allan Kardec.
Em momento algum Kardec estabeleceu o conceito de pureza doutrinária. Ele falou e escreveu a respeito da fidelidade doutrinária.
O estabelecimento de uma pretensa “pureza” já determina a exclusão daqueles que pensam e interpretam a verdade de forma diferente. A exclusão já está implícita nesse conceito, já que são os homens que determinam o que é “puro” ou não.
É preciso compreender: nós, os seguidores do pensamento espírita, devemos primar pela união do pensamento em torno da doutrina, e não em torno da interpretação doutrinária. União não é fusão.
Podemos ser e estar unidos sem que estabeleçamos regras de conduta para o outro seguir. Também não precisamos excluir aqueles que não pensam como nós. O projeto do Alto é conseguir a unificação, e não a padronização.
Unir sem perder as características.
Unir conservando o direito de pensar diferente.
Unir sem perder a individualidade.
Unir, respeitando a pluralidade.
Unir sem nos transformarmos em máquinas humanas.
A união pressupõe respeito ao outro, sem que ele, o indivíduo ou o centro, seja marginalizado.
O pensamento de oficializar o conceito de “pureza” é o mesmo que no passado gerou o regime de Hitler, as fogueiras da Inquisição ou as diversas perseguições ao longo da história. Essa forma de pensar foi a responsável pelo estabelecimento do Index Proibitorium — ou a relação de livros “proibidos” pela Igreja porque o seu conteúdo não respeitava as “normas” preestabelecidas por aqueles que se consideravam puros.
O trabalho de unificar é algo que transcende a forma; a interpretação é aprofundada até as entranhas da alma do centro espírita e do indivíduo.
Unificar é algo mais interior do que interpretativo, sem as proibições e sem os preconceitos tão característicos dos movimentos humanos.
É preciso urgentemente compreender a forma de o Codificador pensar, a fim de que não extrapolemos em nossas observações e exigências. Observamos que Allan Kardec muitas vezes discordava de seus opositores no campo das idéias, respeitando e amando profundamente a pessoa.
Por outro lado, vemos com lamento que em nosso movimento, quando alguém expõe algum pensamento diferente, inovador ou que vá de encontro com o que dizemos ser a verdade, a pessoa é excluída e o combate se faz, não às idéias, mas ao indivíduo, que passa a sofrer a perseguição como se ele fosse um inimigo público da pretensa “pureza doutrinária”, simplesmente porque resolveu pensar por si próprio, de forma diferente.
Precisamos rever urgentemente a nossa forma de agir e de comportar em relação àqueles que não comungam com os mesmos ideais.
Aprendamos com Jesus, com Allan Kardec, a respeitar as diferenças, a pluralidade de pensamento e o direito de se pensar e agir por si mesmo, fora das regras estabelecidas pela ignorância e prepotência humana.
Maria Modesto Cravo,
Psicografia de Robson Pinheiro

terça-feira, 11 de setembro de 2012

EXPERIÊNCIAS DE QUASSE MORTE


EXPERIÊNCIAS DE QUASSE MORTE
Fábio José Lourenço Bezerra

Um dos fenômenos de maior importância, para provar que nossa consciência independe do cérebro, chama-se Bilocaçãoou Desdobramento Espiritual.
Ocorre quando o corpo espiritual, ou duplo etérico, afasta-se do corpo físico, ganhando, às vezes, enormes distâncias deste.
Nossa consciência viaja junto com esse nosso ”fantasma”, que consegue, muitas vezes, perceber tudo ao seu redor, seja no plano físico, seja no plano espiritual. Contudo, mantém, com o corpo físico ainda vivo, uma delicada ligação, o chamado “cordão de prata”, espécie de fio fluídico que se distende, indefinidamente, com o deslocamento do corpo espiritual.
O grande teor de prova, dessas ocorrências, surge quando o nosso “fantasma” testemunha eventos, e observa objetos e lugares, impossíveis de serem percebidos pelo corpo físico, e que são lembrados posteriormente, quando do retorno ao estado normal. Dessa forma, foram confirmados muitos detalhes percebidos durante as ocorrências.
Em alguns casos, o espírito desdobrado pôde ser percebido por médiuns videntes presentes no local. Em outros, foi percebido por todos os presentes, médiuns ou não, quando o “fantasma de pessoa viva” adquiriu consistência sólida (materialização).
O fenômeno geralmente é provocado, em algumas pessoas, quando ocorre uma diminuição das forças vitais do organismo, como: sono ordinário, hipnótico, mediúnico, êxtase, desmaio, efeitos narcóticos, coma, doenças, etc.
Respondendo a perguntas, em “O Livros dos Espíritos”, e também em “O Livro dos Médiuns”, os Espíritos Superiores encarregados da codificação do Espiritismo revelaram que o ser humano é constituído por três partes: EspíritoPerispíritoCorpo Físico.
Espírito é a consciência propriamente dita, fonte da inteligência, dos pensamentos, emoções, enfim, da mente humana.
Perispírito (termo cunhado por Allan Kardec, que significa Envoltório do Espírito), é o que podemos chamar de Corpo Espiritual.. Formado por matéria sutil, ainda não percebida pelos instrumentos de observação desenvolvidos pela nossa atual tecnologia, nem pelos nossos 5 sentidos normais, porém espalhada por todo o espaço universal, em torno dos planetas, ao nosso redor. Os Espíritos chamaram esta matéria de “Fluido Cósmico Universal”.
O Perispírito é o laço que une o Espírito ao Corpo Físico, transmitindo as impressões, os estímulos captados do mundo material pelo Corpo Físico ao Espírito, e também os comandos do Espírito ao Corpo Físico. É a causa de todos os fenômenos mediúnicos, e pode ser moldado com a forma que o Espírito queira, através do pensamento, habilidade esta que desenvolve proporcionalmente à sua evolução espiritual. Em geral, os espíritos apresentam-se com o seu Perispírito na forma do Corpo Físico de sua última encarnação..
Corpo Físico é o que podemos chamar de o nosso corpo de “carne-e-osso”. Verdadeiro material didático do Espírito, limita suas percepções aos 5 sentidos normais, liberando, contudo, a intuição, permitindo que sejamos sugestionados pelos Espíritos, em nossos pensamentos, de forma secreta. A exceção dessa regra é o médium, que pode (conforme o tipo, ou tipos, de mediunidade que possua) receber várias impressões do plano espiritual. É nesse corpo, frágil e perecível, que aprendemos muitas lições, em nossas várias existências, necessárias à nossa evolução espiritual. É também onde pomos em prática as ideias adquiridas no mundo dos Espíritos, seja durante o sono, seja no intervalo entre as encarnações, intervalo esse chamado de erraticidade.
Os Espíritos também disseram a Kardec, nas obras supracitadas, que quando enfraquecido o corpo, por doenças ou outras causas, afrouxam-se os laços que prendem o Espírito ao corpo, e, assim podem entrar mais facilmente em contato com o mundo espiritual, comunicar-se com os Espíritos desencarnados, e afastar-se do corpo físico.
O fenômeno de desdobramento espiritual é tão antigo quanto a humanidade, e se fez presente em todas as culturas, inclusive entre os povos selvagens. Constam, sobre ele, e sobre o corpo espiritual, vários registros através da história. São exemplos:
Os egípcios distinguiam 3 elementos no homem: 1º, o corpo; 2º, o “Kou” luminoso ou Espírito; 3º, o “Ska”, o duplo, intermediário entre o Espírito e o corpo, dito também “Srit”, sombra, e considerado matéria sutil que cobria e reproduzia o corpo físico;
O duplo etérico é demonstrado por Homero, em Odisséia;
Em A República, de Platão, um soldado, Er, é ferido quase fatalmente em batalha, sendo ressuscitado na cerimônia do funeral. Depois descreve uma viagem da escuridão à luz, sendo acompanhado por guias, passa por um julgamento, sentimentos de paz e alegria, visões de belezas extraordinárias e felicidade absoluta;
Para os Hebreus, conforme a Cabala, a alma é chamada “Nefes”; o corpo espiritual é chamado “Ruach”; e o Espírito, mais refinado, “Neshamâch”. O “Ruach” é o intermediário entre o Espírito e o corpo;
Na Índia Védica, o duplo etérico é chamado de “Mano-Maya-Kosha”;
Na tradição Chinesa, chama-se “Khi”;
Orígenes, um dos pais da Igreja, dizia que as almas, ao saírem de um corpo, se revestem de outro, sutil, com a mesma forma daquele que abandonam;
Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo, por aparecer em dois lugares, distantes um do outro, ao mesmo tempo, o que foi considerado milagre;
Santo Antônio de Pádua pregava na Itália, e, de repente, ao mesmo tempo, apareceu em Lisboa, para salvar o pai da pena de morte, pois o mesmo foi condenado injustamente. Santo Antônio, então, demonstrou sua inocência. Este fato foi testemunhado por várias pessoas na época.
Em “O Livro dos Médiuns”, Kardec pede aos Espíritos explicação para os dois últimos casos acima citados. Os Espíritos responderam que, quando atingiram um elevado nível de evolução espiritual, de completa desmaterialização, o Espírito encarnado pode, quando lhe vem o sono, pedir a Deus para transportar-se a um determinado lugar. O corpo espiritual, então, desloca-se até este lugar, deixando no corpo parte do seu Perispírito. Pode, inclusive, materializar-se no local até onde foi transportado.
O filósofo italiano Ernesto Bozzano possuía em seus arquivos cerca de 150 casos de desdobramento espiritual. Baseado neles, ele escreveu o livro “Fenômenos de bilocação”, onde faz uma análise comparada de vários casos, em suas diversas fases. É deste livro que extraímos o seguinte caso, no qual a autora do relato é a noiva de um tenente do exercito alemão que respirou gás carbônico, tendo começo de asfixia, no ano de 1908: “a pessoa de quem sou noiva era oficial e deixou o serviço militar há pouco tempo. Pouco antes de enviar o seu pedido de demissão, aconteceu-lhe, certa noite, ir para a cama e, alguns momentos após, achar-se de pé no meio do quarto, ocupado a examinar o seu próprio corpo estendido debaixo dos cobertores. Tal situação pareceu bastante fantástica ao tenente, tanto mais que nunca ouvira falar de semelhantes fatos. Com o fim de pôr a prova sua própria mente, pôs-se a andar pelo quarto, observar os móveis e outros objetos, foi a sua secretaria e começou a ler um livro que se achava aberto sobre ela, mas, quando quis virar a página, não o conseguiu, apesar de tentá-lo por diversas vezes. Foi, em seguida, à janela, olhou a rua e observou as chamas tremulas dos bicos de gás. Em suma, pode-se convencer de que percebia todas as coisas de modo normal.
De repente ocorreu-lhe a idéia de que talvez se achasse na condição de um “espírito desencarnado”. Quis, pois, verificar se lhe era possível passar através da parede. Tentou, e imediatamente, se achou na sala vizinha, onde viu um companheiro seu sentado à mesa, ocupado a desenhar. Fez todo o possível para chamar-lhe a atenção: tocou-o, falou-lhe, soprou-lhe no rosto, mas tudo foi inútil porque ele continuou tranqüilo a desenhar, inconsciente da sua presença. Assaltou-o desânimo e voltou para o seu quarto, onde tornou a ver o seu corpo, estendido, inerte no leito.
Pensou, pois, sair ao ar livre e, passando através da porta fechada, dirigiu-se para a estação ferroviária, onde observou a multidão de viajantes e o movimento dos trens. Percebendo, ao longe, um túnel, dirigiu-se para o mesmo, lá penetrou e observou diversos operários que ali trabalhavam. Era um túnel em que jamais havia penetrado e cuja existência ignorava.
Voltando ao quarto, viu o criado abrir a porta, entrar, sondar o ar, precipitar-se para o leito, sacudir vivamente o corpo de seu patrão, assistindo ele a tudo, ao seu lado, em Espírito. Em seguida, o criado apressou-se a abrir a janela do quarto e uma súbita torrente de ar fresco despertou o tenente, que logo lhe perguntou o que havia ocorrido e pelo mesmo soube que o ar estava saturado de gás carbônico e que por um instante fora considerado morto. Então o tenente lhe perguntou como tivera a idéia de ir naquele momento ao seu quarto, e o criado lhe disse que experimentara a necessidade súbita e irresistível de ir imediatamente regular a tiragem da pequena chaminé. O fato é que, se o criado não houvesse acorrido, o oficial estaria morto e o seu espírito não teria podido reintegrar o seu corpo.
No dia seguinte, foi ele ao túnel que visitara como espírito e lá reconheceu todas as coisas que havia visto. Do mesmo modo interrogou o locatário vizinho e soube que ele estivera ocupado, naquela hora, no mesmo desenho que pôde ver.
Tais são os fatos. Pois bem, apesar da natureza deles, meu noivo ainda não acredita na sobrevivência da personalidade consciente depois da morte do corpo”.
Em 1975, o médico americano e palestrante universitário aposentado em filosofia, Raymond Moody Jr., chamou a atenção da comunidade científica com a publicação do seu livro Life After Life (no Brasil, foi publicado com o título Vida Depois da Vida, pela editora Nórdica), baseado no depoimento de 150 sobreviventes da ”quase-morte”.
Ele classificou os casos relatados em 3 categorias:
1)Experiências de pessoas que foram ressuscitadas depois de terem sido julgadas, consideradas ou declaradas mortas pelos seus médicos;
2)Experiências de pessoas que, no decorrer de acidentes ou doenças ou ferimentos graves, estiveram muito próximas da morte física;
3)Experiências de pessoas que, enquanto morriam, contaram-nas a outras pessoas que estavam presentes. Mais tarde, essas outras pessoas relataram ao Dr.Moody o conteúdo das experiências de morte.
O Dr.Moody cunhou o nome de “Experiências de Quase-Morte” para esses casos. Devido à grande semelhança nos vários relatos, o Dr. Moody, em seu livro, construiu o que seria um “caso ideal”, contendo todos os detalhes que, tipicamente, estão presentes nessas experiências, embora nenhuma das experiências apresentem todos esses detalhes, mas alguns ou a maioria deles.
“Um homem está morrendo e, quando chega ao ponto de maior aflição física, ouve seu médico declará-lo morto. Começa a ouvir um ruído desagradável, um zumbido alto ou toque de campainhas, e ao mesmo tempo se sente movendo muito rapidamente através de um túnel longo e escuro. Depois disso, repentinamente se encontra fora do seu corpo físico, mas ainda na vizinhança imediata do ambiente físico, e vê seu próprio corpo a distância, como se fosse um espectador. Assiste às tentativas de ressurreição desse ponto de vista inusitado em um estado de perturbação emocional.
Depois de algum tempo, acalma-se e vai se acostumando à sua estranha condição. Observa que ainda tem um “corpo”, mas um corpo de natureza muito diferente e com capacidades muito diferentes das do corpo físico que deixou para trás. Logo outras coisas começam a acontecer. Outros vêm ao seu encontro e o ajudam. Vê de relance os espíritos de parentes e amigos que já morreram e aparece diante dele um caloroso espírito de uma espécie que nunca encontrou antes – um espírito de luz. Este ser pede-lhe, sem usar palavras, que reexamine sua vida, e o ajuda mostrando uma recapitulação panorâmica e instantânea dos principais acontecimentos de sua vida. Em algum ponto encontra-se chegando perto de uma espécie de barreira ou fronteira, representando aparentemente o limite entre a vida terrena e a vida seguinte. No entanto, descobre que precisa voltar para a Terra, que o momento da sua morte ainda não chegou. A essa altura oferece resistência, pois está agora tomado pelas suas experiências no após-vida e não quer voltar. Está agora inundado de sentimentos de alegria, amor e paz. Apesar dessa atitude, porém, de algum modo se reúne ao seu corpo físico e vive.
Mais tarde tenta contar o acontecido a outras pessoas, mas tem dificuldade em fazê-lo. Em primeiro lugar, não consegue encontrar palavras humanas adequadas para descrever esses episódios não-terrenos. Descobre também que os outros caçoam dele, e então deixa de dizer essas coisas. Ainda assim, a experiência afeta profundamente sua vida, especialmente suas opiniões sobre a morte e as relações dela com a vida”.
O Dr. Mervin Morse, Pediatra americano, observou várias crianças gravemente doentes, internadas em centros médicos e salas de emergência. Constatou que algumas delas relataram experiências com a morte. Os detalhes – separar-se do corpo, ter um flashback com acontecimentos de sua própria vida, sentir-se em paz, a presença de uma luz branca e seres luminosos– estavam presentes, porém relatados, naturalmente, em linguagem infantil. A faixa etária das crianças foi de 3 a 9 anos.
Uma garotinha de 5 anos relatou: ”eu subi no ar e vi um homem igual a Jesus, porque ele era bonzinho e estava conversando comigo. Eu vi gente morta, vovós e vovôs, e bebês esperando o nascimento. Vi uma luz e um arco-íris que me disse quem eu era e onde eu deveria ir. Jesus me disse que não era minha hora de morrer”.
O Dr. Pin Van Lommel, cardiologista da Holanda, acompanhou 344 sobreviventes de paradas cardíacas de 10 hospitais, durante 2 anos, e 41 deles, correspondendo a 12% do total, haviam relatado uma EQM. Descobriu-se que os pacientes, acompanhados por 8 anos, mudaram bastante. Ficaram mais próximos da família, mais compreensivos com os outros, com menos temor da morte e mais interessados em desenvolver-se espiritualmente. Esta mudança é muitíssimo comum em quem passou por uma EQM, como estudos posteriores confirmariam.
Dos 41 que passaram pela EQM, na pesquisa do Dr. Van Lommel, 24% deles tiveram uma experiência fora do corpo. Conforme o relato da enfermeira, em um desses casos, ela retirou a dentadura de um paciente no momento em que ele sofreu uma parada cardíaca, colocando-a em uma gaveta de um carrinho especial.. Os médicos e enfermeiras tinham começado o processo de ressuscitação, que durou 1 hora e meia. Em seguida, o paciente foi transferido para a UTI. Após uma semana, o paciente retornou à mesma enfermaria em que ela tinha trabalhado. Então ele disse: “Oh, essa enfermeira sabe onde está minha dentadura”, aí, ele se dirigiu a ela: “Sim, você estava lá quando eu fui levado ao hospital, e você tirou minha dentadura da boca e a colocou em um carrinho (querendo dizer o carrinho hospitalar). Havia esse monte de garrafas em cima, e uma gaveta que deslizava por baixo, que foi onde você colocou os meus dentes”.
A enfermeira teria relatado:
“Eu fiquei realmente chocada, porque me lembro do acontecido enquanto este homem estava num coma profundo, e em processo de CPR (Ressuscitação Cardio-Pulmonar). Quando perguntei mais tarde, parece que ele tinha se visto deitado na cama e observado de cima como os médicos e as enfermeiras trabalhavam. Ele também foi capaz de descrever corretamente e com detalhes a pequena sala cirúrgica na qual estava sendo ressuscitado, assim como a aparência de todos os presentes... na época... ele tinha estado com muito medo de que nós tivéssemos que parar com a CPR, e de assim morrer. E é verdade que a equipe tinha ficado bastante pessimista a respeito de seu prognóstico, devido à condição muito precária na qual ele fora admitido.”
É bastante comum as pessoas que passaram por EQM relatarem ter visto, do teto, os procedimentos realizados pelos médicos e as enfermeiras, mesmo estando o coração parado durante algum tempo, e estes não raro ficam perplexos com os relatos detalhados que os pacientes lhes fazem.
Outro estudo foi feito pelo pesquisador americano Bruce Greyson. Ele acompanhou 1595 pessoas que deram entrada no hospital com problemas cardíacos, por 30 meses. Dessas pessoas, 110 sofreram uma parada cardíaca, e 10% delas, uma EQM.
Um quarto estudo foi feito por Janet Schwaninger, uma enfermeira cardíaca dos EUA. Neste estudo, 23% dos sobreviventes de ataque cardíaco tiveram uma EQM, e seis meses após, mostraram uma transformação muito positiva em si mesmas.
Após todos estes estudos, a grande maioria dos cientistas passaram a acreditar que, de fato, as EQMs aconteciam. Apareceram, então, 3 tipos de explicações:
a)TEORIAS CEREBRAIS (ALUCINAÇÕES)
Possíveis causas:
- falta de oxigênio;
- excesso de gás carbônico;
- drogas aplicadas no paciente;
- o papel dos receptores químicos do cérebro;
- epilepsia de lóbulo temporário.
b) TEORIAS PSICOLÓGICAS
- Dissociação : retração para proteger o indivíduo de um acontecimento
estressante;
- Forma de aliviar o trauma do nascimento.
Em todas as teorias acima, supõe-se que o indivíduo tenha visto os procedimentos dos médicos e enfermeiras, bem como os detalhes de onde estava, antes ou depois de seu coração e o cérebro pararem, tendo criado fantasias a partir do que lembravam, isto é, tiravam de sua cultura e de sua religião os detalhes de sua experiência.
c)TEORIAS TRANSCENDENTAIS
- Experiência espiritual: a consciência seria independente do cérebro.
O Dr. Sam Parnia, um dos maiores especialistas do mundo no estudo científico da morte, do estado da mente humana, do cérebro e das experiências de quase-morte, hoje divide seu tempo entre os hospitais do Reino Unido e a Cornell University, em Nova York, onde é membro da Unidade de Cuidado Cardiopulmonar. Ele também tem uma posição de honra na Senior Clinical Research Fellow na Universidade de Southampton no Reino Unido, onde dirige o Grupo de Pesquisa da Consciência.
Ele achou supreendente como em diferentes culturas, idades e épocas, pessoas que estiveram bem perto da morte puderam relatar uma quantidade tão grande de experiências tão coesas entre si .
No seu livro what happens when die (no Brasil, com o título: “o que acontece quando morremos “, pela editora Larousse), ele mostra os estudos realizados até o momento sobre EQM. Verificou que vários cientistas (a maioria) procurou dar explicações aos fatos sem antes haver um estudo científico sobre os mesmos. Não foram, até então, monitorados os níveis de oxigênio, gás carbônico, drogas aplicadas nos pacientes, e nem se observou os sinais vitais do paciente (batimentos cardíacos, ondas cerebrais, etc), relacionando-os com o que era relatado pelo paciente depois dos acontecimentos. Apenas cada cientista havia dado uma explicação baseado apenas em sua opção filosófica (em sua maioria, materialista).
A falta de estudos que testassem as hipóteses supracitadas, para o Dr.Parnia, se devem provavelmente às naturais dificuldades que advém de um estudo dessa natureza, e também, em grande parte, ao enorme preconceito ainda existente, na comunidade científica, sobre este tema.
O Dr. Parnia, vislumbrando as implicações que teriam um estudo como esse, que procura desvendar a natureza da consciência (ela dependeria ou não do cérebro?), para a ética, a teologia, a filosofia e para o cuidado médico ( uma vez que aqueles que passaram por uma EQM sofreram transformações bastantes positivas em suas vidas, Isso poderia vislumbrar o tratamento de várias doenças, inclusive a depressão), ele resolveu empreender seu próprio estudo.
O estudo-piloto foi feito no hospital Southampton, na Grã-Bretanha, com 63 pacientes que sofreram parada cardíaca, pelo período de 1 ano, nas unidades de emergência e de cuidados especiais. Ele monitorou os níveis de oxigênio, gás carbônico, sódio, potássio no cérebro, bem como drogas administradas durante a parada cardíaca. Também foram monitorados os batimentos cardíacos e a atividade elétrica do cérebro durante os procedimentos de ressuscitação. Também foram colocadas figuras no teto, que só poderiam ser vistas se o paciente pudesse “flutuar” acima de seu corpo, para testar se eram verdadeiros os relatos deste tipo, ou meras fantasias.
Os resultados do estudo foram os seguintes:
·Os pacientes foram divididos em 2 grupos: aqueles que tiveram uma EQM e os que não tiveram.
·Cerca de 10% dos pacientes tiveram uma EQM. Os níveis de oxigênio, gás carbônico, sódio e potássio, entre os que tiveram e os que não tiveram EQM, só diferiu um pouco em relação ao oxigênio, um pouco maior no grupo que teve EQM. Assim, embora pequeno, o estudo já sugeria que poderiam ser descartadas as hipóteses da falta de oxigênio, e do excesso de gás carbônico, como causadores de EQMs.
A hipótese das drogas administradas também pôde ser descartada.
Também foi testada a hipótese de a religião ter contribuído para a experiência. Conforme o Dr. Parnia, dos que passaram por EQM, todos eram cristãos, com a exceção de um, convertido pagão 10 anos antes. Contudo, não apareceram detalhes específicos do cristianismo nas EQMs, mas sim, seguiam vários dos detalhes descritos pelo Dr. Moody em seu livro.
Não pôde ser testada a hipótese transcendental, uma vez que nenhum paciente relatou que teria flutuado acima do seu corpo.
Uma das pessoas que passaram por EQM no estudo do Dr. Parnia relatou o seguinte:
“Não sei o que aconteceu, mas eu apenas me senti muito tranqüila e numa certa distância no canto da sala vi uma construção – parecia a moldura de uma porta – e meu pai, que morreu muitos anos atrás, estava lá de pé. Fiquei extasiada pelo que estava acontecendo e comecei a caminhar na direção dele. Ele então me olhou, levantou a mão, como para me dizer: pare. Ele me disse que eu tinha de voltar. Senti que, se transpusesse aquela porta, não poderia mais voltar...não me lembro de mais nada da experiência.”
Enquanto estava em andamento o estudo do Dr. Parnia, várias pessoas, que ficaram sabendo de suas pesquisas, entraram em contato com ele, relatando suas próprias experiências. Abaixo, transcrevemos dois relatos:
“Meu filho Andrew, então com três anos e meio, foi internado no hospital com um problema cardíaco... ele teria de fazer uma operação no coração...
Cerca de duas semanas após a cirurgia, ele começou a perguntar quando poderia voltar para visitar aquele lugar lindo com todas aquelas flores e animais. Eu disse: ’iremos ao parque em alguns dias quando você estiver se sentindo melhor’. ‘Não’, ele disse, ‘Não quero ir ao parque, estou falando do lugar ensolarado que eu fui com a moça’. Perguntei: ‘Qual moça?’. Ele respondeu: ‘A moça que voa’. Disse a ele então que não havia entendido e que eu devo ter esquecido onde era esse lugar ensolarado e ele então falou: ‘ Você não me levou lá. A moça veio e me pegou. Ele segurou minha mão e nós voamos... você estava fora quando estavam costurando meu coração... foi legal, a moça cuidou de mim, ela me ama, não fiquei com medo, foi muito bom. Tudo era brilhante e colorido, (mas) eu queria voltar pra ver você outra vez’. Perguntei a ele: ‘Quando você voltou, você estava sonhando, acordado, ou adormecido?’, e ele disse: ‘Estava acordado, mas eu estava lá em cima no teto e, quando olhei pra baixo, eu estava deitado na cama com meus braços encolhidos e os doutores fazendo alguma coisa no meu peito. Tudo era muito brilhante e logo eu voei de volta para baixo...’
Um ano após a operação, estávamos assistindo ao Children’s Hospital e uma criança estava passando por uma cirurgia do coração. Andrew ficou bastante animado e disse: ‘Eu tinha aquela máquina’(uma máquina de circuito de passagem). Eu disse: ‘não acho que você tinha’. Ele falou: ‘Sim, eu tinha, sim’. ‘Mas’, eu disse, ‘ Você estava adormecido quando fez sua operação, então você não teria visto nenhuma máquina’. Ele falou: ’Eu sei que eu estava adormecido, mas eu conseguia ver quando olhava pra baixo’. Eu disse: ‘Se você estava dormindo, como conseguia olhar pra baixo?’ você sabe, eu falei para você, quando eu voei com a moça...’’’.
[Um dia] eu mostrei a ele uma foto de minha mãe (que havia falecido) quando ela tinha minha idade agora, e ele falou: ‘É ela. Essa é a moça’’’.
Outro relato:
“...durante minha operação, fiquei flutuando ao redor da sala de cirurgia. Eu conseguia ver o cirurgião e as enfermeiras trabalhando em meu corpo, embora agora não consiga me lembrar de quantas pessoas havia lá. Eu também consegui ouvir suas conversas... o cirurgião disse que deixaria a ferida aberta para que secasse, porque o apêndice tinha inchado. Ele então me visitou na enfermaria após a operação para explicar o que tinha feito, mas eu já sabia, porque tinha escutado tudo. Ele disse que eu não poderia tê-lo ouvido e sugeriu que talvez uma enfermeira estivesse ao meu lado na cama e tivesse me contado... eu não contei a ele que havia visto a operação ser feita...”
O Dr. Parnia sabe que o estudo-piloto não foi suficiente para responder todas as perguntas. Um novo estudo, liderado por ele e coordenado pela Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, em 25 hospitais na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, começou desde setembro de 2008, e deverá examinar experiências de quase-morte em 1500 pacientes, sobreviventes de ataque cardíaco, durante 3 anos. Os especialistas vão verificar se as pessoas que tiveram suspenso o seu batimento cardíaco ou atividade cerebral podem ter experiências de se ver fora do próprio corpo. O estudo é intituladoAware (sigla inglesa para "consciência durante ressuscitação").
Para testar a "visão de cima", os pesquisadores vão instalar prateleiras especiais em áreas de atendimento de emergência dos hospitais. Elas deverão conter fotografias que só podem ser vistas de cima.
As pesquisas do Dr. Parnia podem ser acompanhadas pelo site:
www.horizonresearch.org
Em seu livro, que mencionamos acima, ele faz a seguinte declaração:
“Até mais recentemente, eu costumava acreditar que os processos cerebrais levavam à formação da consciência e da mente, embora, como todos os outros cientistas, eu não sabia como. Entretanto, estudar as experiências de quase-morte em sobreviventes de parada cardíaca me fez questionar minhas opiniões, como a falta de mecanismos biológicos plausíveis que informem a causa da consciência em processos cerebrais. Eu agora decidi manter a mente completa e absolutamente aberta e deixar a evidência tomar minha opinião. Afinal, como já mencionado, esta não seria a primeira vez na ciência que um ponto de vista prevalecente foi provado ser errado. Pessoalmente, tive de aceitar que a formação da consciência está longe de ser clara”
Os fenômenos relatados pelas pessoas que passaram pelas experiências de quase morte são bastante familiares ao Espiritismo, e confirmam seus postulados, juntamente com vários outros fenômenos estudados por pesquisadores não Espíritas, como: milhares de casos, ao redor do mundo, de crianças de pouquíssima idade que lembram de suas vidas passadas, estudados pelo médico americano Ian Stevenson e outros; a Transcomunicação Instrumental, quando os Espíritos se comunicam por equipamentos eletrônicos (gravadores de áudio e vídeo, televisores, computador, etc.), estudados por vários pesquisadores ao redor do globo, entre eles brilhantes engenheiros eletrônicos.
A ciência vai, pouco a pouco, confirmando os ensinamentos da Doutrina Espírita, à medida em que os cientistas abrem suas mentes para possibilidades além daquelas proporcionadas pelo paradigma do materialismo radical, este, a cada dia, mais frágil perante os fatos.
Como vimos, no início deste texto, os Espíritos Superiores da codificação já falavam de EQMs há mais de 150 anos atrás. Com certeza, e isso inclusive é uma hipótese formulada pelo Dr. Parnia, todas as pessoas, cujo coração e o cérebro pararam, passaram pelas EQMs, porém apenas uma pequena parcela delas se lembra dos acontecimentos. É uma concessão que a Espiritualidade Superior, com a permissão de Deus, faz a essas pessoas, e também a nós, para nos mostrar que a morte nada mais é do que a passagem para a Vida Maior
"Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre, tal é ¡ lei"
Allan Kardec.