segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A RECEPÇÃO NA CASA ESPÍRITA.


A recepção é tarefa de grande importância, pois, a permanência  dos que buscam a Casa Espírita, vai depender da habilidade dos trabalhadores em transmitir afeto, segurança, consolo e esperança  aos que chegam.

São muitas as causas que levam as pessoas ao Centro Espírita.

Como estamos vivendo momentos de transição, com a passagem do nosso planeta Terra para o estágio de mundo de regeneração, deixando para trás o período de provas e expiações, encontramos um grande número de irmãos que, vivenciando situações difíceis, buscam a religião como último recurso.

É cada vez maior o número de pessoas que chegam aos Centros Espíritas e que precisam ser bem recebidos, exigindo de nós, trabalhadores espíritas, atenção especial na recepção e acolhimento desses irmãos, e para a qual torna-se imprescindível  que o recepcionista seja atencioso e sensível para encontrar a  melhor maneira de atender as necessidades e expectativas de quem chega, apresentando os ensinamentos do Cristo à luz da Doutrina Espírita, bem como a estrutura e as atividades disponíveis no Centro Espírita.

Destacamos, de maneira geral, alguns perfis de quem busca o Centro Espírita.

Os que são atraídos pela curiosidade ou pela fenomenologia espírita. Procuram explicações científicas, percebendo ou não as conseqüências morais advindas do fenômeno;

Os enfermos que buscam o auxílio para a cura do corpo e da alma;

Os que procuram respostas às questões existenciais, sem tê-las encontrado em outros segmentos religiões;

Os que se encontram em dificuldades materiais e, por conseguinte, estão sofrendo;

Aqueles que buscam conscientemente o Espiritismo como roteiro de progresso e felicidade;

Os que vivenciam as atribulações familiares e buscam auxílio para si e para os seus;

Os que se encontram com a mediunidade em desequilíbrio;

Os que estão deprimidos, desesperançados e sem ânimo para a vida;

Os que buscam aproximar-se do Espiritismo para atacá-lo;

Os que, conscientes da  necessidade de  evoluir, buscam a seara de esclarecimento e de trabalho com Jesus. É certo, que todos os que adentram o centro espírita encontram-se em busca do atendimento de suas necessidades materiais e espirituais e sob a inspiração de amigos espirituais percorreram um longo trajeto até  chegarem à casa espírita e, em muitos casos,  a permanência desses irmãos limita-se ao período de sua recuperação. Embora as necessidades de cada Espírito encarnado sejam diferenciadas, todos nós necessitamos de desenvolver a intelectualidade e a moralidade, sendo que este desenvolvimento é inerente a cada criatura, que direciona  a sua caminhada de acordo com o seu livre arbítrio. Por esta razão, a recepção através da acolhida fraterna, afigura-se decisiva, pois se, conseguirmos  atender e acolher fraternalmente os que chegam, estaremos proporcionando aos nossos irmãos a oportunidade de reencontrar Jesus através das atividades desenvolvidas no Centro Espírita. Portanto, a recepção deve estar impregnada de amor, tornando necessário que o atendente fraterno desenvolva habilidades para o desenvolvimento da tarefa escolhida. O recepcionista precisará aprimorar seus conhecimentos através do estudo da Doutrina Espírita; buscar o auxílio dos espíritos que coordenam e orientam a tarefa e desenvolver atitudes que possam auxiliar a tarefa de receber os que chegam ao Centro Espírita, tais como:

PACIÊNCIA – há  pessoas que têm  dificuldades para assimilar novos conhecimentos, apresentam  curiosidade excessiva, ou se comportam de maneira  descortês. Fazem muitas perguntas, e  mostram-se insatisfeitas com as orientações recebidas. È preciso  permanecer cordial e paciente. Se tivermos dificuldade em  encontrar paciência em nós mesmos e estivermos próximos da irritação ou da indiferença, lembremo-nos do quanto o Mestre nos aguardou ao longo dos tempos até que nos decidíssemos a segui-lo. Ele é sempre o exemplo.

“A VERDADEIRA PACIÊNCIA É SEMPRE UMA EXTERIORIZAÇÃO DA ALMA QUE REALIZOU MUITO AMOR EM SI MESMA, PARA DÁ-LO A OUTREM , NA EXEMPLIFICAÇÃO.” XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel.

GENTILEZA – é preciso ser atencioso, falar  e agir de forma afável, ouvir atentamente, ser  educado, deixar claro que  nos importamos com quem chega, lembrando sempre que estamos lidando com o sofrimento o que torna as pessoas frágeis e atitudes que sugerem  indiferença, pressa ou a rudeza podem gerar tristes conseqüências. A acolhida gentil  inicia o processo de valorização, possibilitando sentimentos de segurança, confiança, esperança, lembrando que o sorriso sincero e o olhar fraternal podem dizer muito mais do que as palavras, e que mantendo nossos pensamentos harmoniosos, estaremos envolvendo em ondas mentais positivas os que chegam, propiciando, desde a recepção, a ação dos amigos espirituais.

“ O PRIMEIRO DEGRAU DA PARAÍSO CHAMA-SE GENTILEZA” XAVIER, Francisco Cândido. Pai Nosso. Texto do Espírito Meimei.

HUMILDADE – a  humildade  gera simpatia e evita que o trabalhador apresente -se  arrogante ou vaidoso, o que poderia causar sentimentos de repulsa e atitudes violentas  por parte do recepcionado.
Lembremos que o recepcionista é responsável pela  primeira impressão que se terá de todo o centro espírita, e os poucos instantes em que o novo freqüentador permanecer na recepção poderá garantir o seu retorno ou o abandono da casa.

“A HUMILDADE, - A DOÇURA QUE TEM POR COMPANHEIRAS A AFABILIDADE E A BENEVOLÊNCIA.” SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações Evangélicas.

RESPEITO – compreender a dor alheia, é imprescindível na atividade da recepção fraterna tendo sempre em mente as diferenças pessoais da capacidade de cada um em superar suas dificuldades.

“ RECORDE QUE O RESPEITO AO SEMELHANTE É O ALICERCE DA PAZ.” XAVIER, Francisco Cândido, VIEIRA, Waldo.

O Espírito de Verdade: estudos e dissertações em torno de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec. Por vários Espíritos.

ALTRUÍSMO – o recepcionista está ali para servir, não para servir-se. O foco é o atendido, o que exige abnegação, zelo, carinho, compreensão e presteza. Se a tarefa espírita convida a pequenas e grandes renúncias em prol da afetividade e da caridade verdadeira, faz-se também fonte de verdadeiras alegrias.

“SERVIR É CRIAR SIMPATIA, FRATERNIDADE E LUZ.” XAVIER, Francisco Cândido. Dicionário da Alma. Autores Diversos.

DISPOSIÇÃO A PRÁTICA DA CARIDADE – vontade firme do recepcionista em atender as necessidades alheias através do auxílio eficaz e do encaminhamento seguro e da forma  mais fraterna forma possível, sem esperar retribuição pela  ação praticada.

“A CARIDADE É LUZ DA VIDA SUPERIOR, CUJOS RAIOS RECONSTITUEM A SAÚDE E A ALEGRIA DA ALMA, NA CONDIÇÃO DE TERAPIA DIVINA.” XAVIER, Francisco Cândido. Encontro Marcado. Pelo Espírito Emmanuel.

COMPREENSÃO – sublimar qualquer indelicadeza ou hostilidade demonstrada pelo atendido, lembrando que o sofrimento gera, em algumas pessoas, desequilíbrio, impaciência e que nós, os atendentes, talvez nos comportássemos  da mesma forma, ou pior do que o atendido em situação semelhante. É de grande importância que evitemos comentários pouco construtivos ou especulativos sobre os que chegam  à casa, gerando  um ambiente prejudicial e desprovido se fraternidade.

“COMPREENDER, NO BOM SENTIDO, É VER PARA ABENÇOAR, ALIVIAR, AMPARAR, CONSTRUIR OU RECONSTRUIR. XAVIER, Francisco Cândido. Rumo Certo. Pelo Espírito Emmanuel.


O compromisso que assumimos  com Deus, com o Cristo, conosco e com o próximo, fomentará os sentimentos e ações amorosas do recepcionista, bem como o cuidado, a prudência e a dedicação à tarefa que lhe foi conferida e que ele escolheu executar. O trabalhador espírita precisa ser fiel às suas escolhas.

Enfim, todos estes apontamentos servem para demonstrar que a acolhida fraterna tem, toda ela, sua referência na mensagem e no exemplo de Jesus, razão por que devemos buscar, Nele, o amparo, as elucidações e o estímulo ante as dificuldades surgidas no cumprimento da tarefa de recepção.

A acolhida fraterna realizada com sentimento sincero de servir, auxiliar, acalmar e orientar os que chegam ao Centro Espírita é proporcionar a esses irmãos o reencontro  com Jesus, que está de braços abertos a dizer-lhes: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei comigo, que sou brando e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” Mateus em 11, 28 a 30.

Bibliografia:
MIRANDA, Manoel Philomeno. Atendimento Fraterno.
Revista “ A Reencarnação” – Federação Espírita do Rio Grande do Sul, n° 438 – ano LXXIV – 2°semestre de 2009
Orientação ao Centro Espírita – FEB.

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