quinta-feira, 31 de maio de 2012

Allan Kardec e o Estudo da Doutrina Espírita


Allan Kardec e o Estudo da Doutrina Espírita

"Acrescentemos que o estudo de uma doutrina, qual a Doutrina Espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova quão grande, só pode ser feito com utilidade por homens sérios, perseverantes, livres de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado.

Não sabemos como dar esses qualificativos aos que julgam a priori, levianamente, sem tudo ter visto; que não imprimem a seus estudos a continuidade, a regularidade e o recolhimento indispensáveis.

Ainda menos saberíamos dá-los a alguns que, para não decaírem da reputação de homens de espírito, se afadigam por achar um lado burlesco nas coisas mais verdadeiras, ou tidas como tais por pessoas cujo saber, caráter e convicções lhes dão direito à consideração de quem quer que se preze de bem-educado.
Abstenham-se, portanto, os que entendem não serem dignos de sua atenção os fatos.
Ninguém pensa em lhes violentar a crença; concordem, pois, em respeitar a dos outros.
O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. Será de admirar que muitas vezes não se obtenha nenhuma resposta sensata a questões de si mesmas graves, quando propostas ao acaso e à queima-roupa, em meio de uma aluvião de outras extravagantes?
Demais sucede freqüentemente que, por complexa, uma questão, para ser elucidada, exige a solução de outras preliminares ou complementares.
Quem deseje tornar-se versado numa ciência tem que a estudar metodicamente, começando pelo princípio e acompanhando o encadeamento e o desenvolvimento das idéias.
Que adiantará aquele que, ao acaso, dirigir a um sábio perguntas acerca de uma ciência cujas primeiras palavras ignore?
Poderá o próprio sábio, por maior que seja a sua boa-vontade, dar-lhe resposta satisfatória?
A resposta isolada, que der, será forçosamente incompleta e quase sempre, por isso mesmo, ininteligível ou parecerá absurda e contraditória.
O mesmo ocorre em nossas relações com os Espíritos.
Quem quiser com eles instruir-se tem que com eles fazer um curso; mas, exatamente como se procede entre nós, deverá escolher seus professores e trabalhar com assiduidade.
Dissemos que os Espíritos superiores somente às sessões sérias acorrem, sobretudo às em que reina perfeita comunhão de pensamentos e de sentimentos para o bem.
A leviandade e as questões ociosas os afastam, como, entre os homens, afastam as pessoas criteriosas; o campo fica, então, livre à turba dos Espíritos mentirosos e frívolos, sempre à espreita de ocasiões propicias para zombarem de nós e se divertirem à nossa custa.
Que é o que se dará com uma questão grave em reuniões de tal ordem? Será respondida; mas, por quem? Acontece como se a um bando de levianos, que estejam a divertir-se, propusésseis estas questões:
Que é a alma?
Que é a morte?
e outras tão recreativas quanto essas. Se quereis respostas sisudas, haveis de comportar-vos com toda a sisudeza, na mais ampla acepção do termo, e de preencher todas as condições reclamadas.
Só assim obtereis grandes coisas.
Sede. além do mais, laboriosos e perseverantes nos vossos estudos, sem o que os Espíritos superiores vos abandonarão, como faz um professor com os discípulos negligentes."

(KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, 66a edição, 1987. Introdução, capítulo VIII).

terça-feira, 29 de maio de 2012

Tua Medida


Tua medida.
“Não julgueis, afim de que não sejais julgados, porque vós sereis julgados segundo houverdes julgado os outros, e se servirá para convosco da mesma medida da qual vos servistes para com eles.”
(Capítulo 10, item 11)*
Toda opinião ou juízo que desenvolvemos no presente está intimamente ligado a fatos antecedentes.
Quase sempre, todos estamos vinculados a fatores de situações pretéritas, que incluem atitudes de defesa, negações ou mesmo inúmeras distorções de certos aspectos importantes da vida.
 Tendências ou pensamentos julgadores estão sedimentados em nossa memória profunda, são subprodutos de uma série de conhecimentos que adquirimos na idade infantil e também através das vivências pregressas.
Censuras, observações, admoestações, superstições, pre¬conceitos, opiniões, informações e influências do meio, inclusive de instituições diversas, formaram em nós um tipo de “reservatório moral” - coleção de regras e preceitos a ser rigorosamente cumpridos -, do qual nos servimos para concluir e catalogar as atitudes em boas ou más.
Nossa concepção ético-moral está baseada na noção adquirida em nossas experiências domésticas, sociais e religiosas, das quais nos servimos para emitir opiniões ou pontos de vista, a fim de harmonizarmos e resguardarmos tudo aquilo em que acreditamos como sendo “verdades absolutas”. Em outras palavras, como forma de defender e proteger nossos “valores sagrados”, isto é, nossas aquisições mais fortes e poderosas, que nos servem como forma de sustentação.
Em razão disso, os freqüentes julgamentos que fazemos em relação às outras pessoas nos informam sobre tudo aquilo que temos por dentro. Explicando melhor, a “forma” e o “material” utilizados para sentenciar os outros residem dentro de nós.
Melhor do que medir ou apontar o comportamento de alguém seria tomarmos a decisão de visualizar bem fundo nossa intimidade, e nos perguntarmos onde está tudo isso em nós. Os indivíduos podem ser considerados, nesses casos, excelente espe¬lho, no qual veremos quem somos realmente. Ao mesmo tempo, teremos uma ótima oportunidade de nos transformar intimamente, pois estaremos analisando as características gerais de nossos conceitos e atitudes inadequados.
Só poderemos nos reabilitar ou reformar até onde con¬seguimos nos perceber; ou seja, aquilo que não está consciente em nós dificilmente conseguiremos reparar ou modificar.
Quando não enxergamos a nós mesmos, nossos compor¬tamentos perante os outros não são totalmente livres para que pos¬samos fazer escolhas ou emitir opiniões.
 Estamos amarrados a formas de avaliação, estruturadas nos mecanismos de defesa - proces¬sos mentais inconscientes que possibilitam ao indivíduo manter sua integridade psicológica através de uma forma de “auto-engano.”
Certas pessoas, simplesmente por não conseguirem conviver com a verdade, tentam sufocar ou enclausurar seus sentimentos e emoções, disfarçando-os no inconsciente.
Em todo comportamento humano existe uma lógica, isto é, uma maneira particular de raciocinar sobre sua verdade; portanto, julgar, medir e sentenciar os outros, não se levando em conta suas realidades, mesmo sendo consideradas preconceituosas, neuróticas ou psicóticas, é não ter bom senso ou racionalidade, pois na vida somente é válido e possível o “autojulgamento”.
Não obstante, cada ser humano descobre suas próprias formas de encarar a vida e tende a usar suas oportunidades vivenciais, para tornar-se tudo aquilo que o leva a ser um “eu individualizado”.
Devemos reavaliar nossas idéias retrógradas, que estreitam nossa personalidade, e, a partir daí, julgar os indivíduos de forma não generalizada, apreciando suas singularidades, pois cada pessoa tem uma consciência própria e diversificada das outras tantas consciências.
Julgar uma ação é diferente de julgar a criatura. Posso julgar e considerar a prostituição moralmente errada, mas não posso e não devo julgar a pessoa prostituída. Ao usarmos da empatia, colocando-nos no lugar do outro, “sentindo e pensando com ele”, em vez de “pensar a respeito dele”, teremos o comportamento ideal diante dos atos e atitudes das pessoas.
Segundo Paulo de Tarso, “é indesculpável o homem, quem quer que seja, que se arvora em ser juiz. Porque julgando os outros, ele condena a si mesmo, pois praticará as mesmas coisas, atraindo-as para si, com seu julgamento”.
O “Apóstolo dos Gentios” manifesta-se claramente, evidenciando nessa afirmativa que todo comportamento julgador estará, na realidade, estabelecendo não somente uma sentença, ou um veredicto, mas, ao mesmo tempo, um juízo, um valor, um peso e uma medida de como julgaremos a nós mesmos.
Essencialmente, tudo aquilo que decretamos ou sentenciamos tornar-se-á nossa “real medida”: como iremos viver com nós mesmos e com os outros.
O ser humano é um verdadeiro campo magnético, atraindo pessoas e situações, as quais se sintonizam amorosamente com seu mundo mental, ou mesmo de forma antipática com sua maneira de ser. Dessa forma, nossas afirmações prescreverão as águas por onde a embarcação de nossa vida deverá navegar.
Com freqüência, escolhemos, avaliamos e emitimos opi¬niões e, conseqüentemente, atraímos tudo aquilo que irradiamos. A psicologia diz que uma parte considerável desses pensamentos e experiências, os quais usamos para julgar e emitir pareceres, acontece de modo automático, ou seja, através de mecanismos não perceptíveis.
 É quase inconsciente para a nossa casa mental o que escolhemos ou opinamos, pois, sem nos dar conta, acreditamos estar usando o nosso “arbítrio”, mas, na verdade, estamos optando por um julgamento predeterminado e estabelecido por “arquivos que registram tudo o que nos ensinaram a respeito do que deveríamos fazer ou não, sobre tudo que é errado ou certo.
Poder-se-á dizer que um comportamento é completamente livre para eleger um conceito eficaz somente quando as decisões não estão confinadas a padrões mentais rígidos e inflexíveis, não estão estruturadas em conceitos preconceituosos e não estão alicerçadas em idéias ou situações semelhantes que foram vivenciadas no passado.
Nossos julgamentos serão sempre os motivos de nossa liberdade ou de nossa prisão no processo de desenvolvimento e crescimento espiritual.
Se criaturas afirmarem “idosos não têm direito ao amor”, limitando o romance só para os jovens, elas estarão condenando-se a uma velhice de descontentamento e solidão afetiva, desprovida de vitalidade.
Se pessoas declararem “homossexualidade é abominável” e, ao longo do tempo, se confrontarem com filhos, netos, parentes e amigos que têm algum impulso homossexual, suas medidas estarão estabelecidas pelo ódio e pela repugnância a esses mesmos entes queridos.
Se indivíduos decretarem ‘jovens não casam com idosos”, estarão circunscrevendo as afinidades espirituais a faixas etárias e demarcando suas afetividades a padrões bem estreitos e apertados quanto a seus relacionamentos.
Se alguém subestimar e ironizar “o desajuste emocional dos outros”, poderá, em breve tempo, deparar-se em sua própria existência com perplexidades emocionais ou dilemas mentais que o farão esconder-se, a fim de não ser ridicularizado e inferiorizado, como julgou os outros anteriormente.
Se formos juízes da “moral ideológica” e “sentimental”, sen¬tenciando veementemente o que consideramos como “erros alheios”, estaremos nos condenando ao isolamento intelectual, bem como ao afetivo, pela própria detenção que impusemos aos outros, por não deixarmos que eles se lançassem a novas idéias e novas simpatias.
“Não julgueis, a fim de que não sejais julgados”, ou mes¬mo, “se servirá para convosco da mesma medida da qual vos servistes para com eles”, quer dizer, alertemo-nos quanto a tudo aquilo que afirmamos julgando, pois no “auditório da vida” todos somos “atores” e “escritores” e, ao mesmo tempo, “ouvintes” e “espectadores” de nossos próprios discursos, feitos e atitudes.
Para sermos livres realmente e para nos movermos em qualquer direção com vista à nossa evolução e crescimento como seres eternos, é necessário observarmos e concatenarmos nos¬sos “pesos” e “medidas”, a fim de que não venhamos a sofrer constrangimento pela conduta infeliz que adotarmos na vida em forma de censuras e condenações diversas.
* A presente citação e todas as demais que iniciam cada capítulo foram extraídas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec. (Nota do autor espiritual.)
(1) Romanos, 2:1
Livro: Renovando Atitudes - Hammed

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Bem , Sem Olhar A Quem


10-O Bem, Sem Olhar a Quem!

* Referência: Capítulos do Livro Seara dos Médiuns – Chico Xavier/Emmanuel (FEB). 
Objetivo: estudo de questões do Livro dos Médiuns (LM) de Allan Kardec. 
Roteiro: Meditação – Leitura da Questão – Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 10-Em Tarefa Espírita)
Reunião pública de 5-2-60
Questão LM no. 30
Lamennais
No último texto do capítulo XI do Evangelho Segundo o Espiritismo, o espírito Lamennais responde a Kardec uma pergunta muito difícil: deve alguém arriscar sua vida para salvar um malfeitor ?
Para esta meditação, iremos com Emmanuel nos lembrar um pouco dos companheiros, dos irmãos de travessia, das almas que atuaram nas páginas do Evangelho de Jesus.
Eles tinham em comum uma grande falta de compreensão das idéias do Mestre.
Numa época onde a força bruta determinava a maior parte do direito individual e das nações, há quem alegue que o grande sacrifício do Nazareno Mestre teria sido não a crucificação, mas antes dividir seus passos e seu tempo com consciências e corações ainda tão embrutecidos.
Caminhando adiante do vulgo, Ele aceita as constantes exigências dos curiosos, dos  doentes e aflitos.
Reúne colaboradores sem lhes exigir virtudes expoentes ou completas. E, pacientemente, atravessa as adversidades do caminho.
Aceita o batismo de João, mesmo percebendo suas dúvidas.
Esclarece Nicodemos na ignorância, reconhece Natanael em sua incredulidade, acolhe Tomé na comprovação.
Entre Caifás, Antipas e Pilatos, o Mestre ora silencia, ora responde dentro da compreensão de cada um.
A Pedro,  pusilânime na noite derradeira, confia seu rebanho. Para Judas, dementado pela traição, mergulha na escuridão e acolhe o amigo torturado.

Apesar de tudo, Ele passa, sozinho e imperturbável, como sendo o amor não-amado, ensinando e ajudando sempre”.
***
Da mesma forma, na casa a qual abraçamos para nosso trabalho, encontraremos oportunidades de auxílio e aprendizado em quase todos os companheiros.
Os necessitados que esperam o alimento material…
Os aturdidos, que rogam alívio, consolo e entendimento …
Os que não compreendem nosso ideal, que complicam nossos passos e desafiam nossa calma…
Os que nos criam dificuldades e ferem nosso coração…
Assim como Jesus veio para os doentes e desorientados, nossa mão estendida não deve amparar apenas aos gratos, bondosos ou amigos, mas a todos que dela precisar.
E devolvendo ao mundo as bênçãos que o mundo já nos proporcionou, vamos levar nosso roteiro de conduta aos transviados; levar nosso equilíbrio aos perturbados; levar nossa firmeza aos que caem; levar o pouco de luz que já entesouramos a quem se debate nas trevas.
Em cada gesto, estaremos reconstruindo nosso amor perante a eternidade.

Lamennais nos lembra que o devotamento é cego. E nos exorta: Socorrei-o, porquanto, salvando-o, obedeceis a essa voz do coração, que vos diz: “Podes salvá-lo, salva-o!”
Desse modo, não te faças distraído quanto à orientação que nos é comum, porquanto o espírita verdadeiro, diante do mal, é invariavelmente chamado a fazer o bem”.

Blog Estudando Chico Xavier

terça-feira, 22 de maio de 2012

Entre a Terra e o Céu - Cap XX - Explicações sobre os sete Centros de Força


 "Como não desconhecem, o nosso corpo de matéria rarefeita está intimamente regido por sete centros de força, que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo um campo electromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado. Nossa posição mental determina o peso específico do nosso envoltório espiritual e, conseqüentemente, o «habitat» que lhe compete. Mero problema de padrão vibratório. Cada qual de nós respira em determinado tipo de onda. Quanto mais primitiva se revela a condição da mente, mais fraco é o influxo vibratório do pensamento, induzindo a compulsória aglutinação do ser às regiões da consciência embrionária ou torturada, onde se reúnem as vidas inferiores que lhe são afins. O crescimento do influxo mental, no veículo electromagnético em que nos movemos, após abandonar o corpo terrestre, está na medida da experiência adquirida e arquivada em nosso próprio espírito. Atentos a semelhante realidade, é fácil compreender que sublimamos ou desequilibramos o delicado agente de nossas manifestações, conforme o tipo de pensamento que nos flui da vida íntima. Quanto mais nos avizinhamos da esfera animal, maior é a condensação obscurecente de nossa organização, e quanto mais nos elevamos, ao preço de esforço próprio, no rumo das gloriosas construções do espírito, maior é a sutileza de nosso envoltório, que passa a combinar-se facilmente com a beleza, com a harmonia e com a luz reinantes na Criação Divina".
Fonte: Livro “Entre a Terra e o Céu” – Psicografia de Francisco Cândido Xavier pelo Espírito de André Luiz

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Terceira revelação, o fim da dualidade


Terceira revelação, o fim da dualidade
Adams Auni
O espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. (Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo I, item 5)
Ele no-lo mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso.

É a essas relações que o Cristo alude em muitas circunstancias e dai vem que muito do que ele disse permaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Espiritismo é a chave com o auxilio da qual tudo se explica de modo fácil.
(...) O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, mas sim pelos Espíritos (...) (Evangelho Segundo o Espiritismo, capitulo I, item 6)
Assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução”. Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. (Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo I, item 7)
A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra, as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se.
A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de idéias provém apenas de uma observação defeituosa e de excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância. (Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo I, item 8)
São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo têm de ser completados; em que o véu intencionalmente lançado sobre algumas partes desse ensino tem de ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, tem de levar em conta o elemento espiritual e em que a Religião, deixando de ignorar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, como duas forças que são apoiando-se uma na outra e marchando combinadas, se prestarão mútuo concurso.
A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o Universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres.
Nesse sentido é possível inferir e classificar que a primeira revelação “espiritual” por Moisés apresenta uma visão extremamente cartesiana, arraigada na causa e efeito o que para alguns espíritas é perpetuado ainda hoje no aceitar o determinismo e o fatalismo, quase um “olho por olho e dente por dente”.
A segunda revelação “espiritual” por Jesus conduz o despertar em uma visão relativista e seguidamente dualística. Apresenta a dualidade das coisas e dos mundos, muda o ponto de vista e instaura a libertação na dualidade. Institui uma realidade dual e inicia o educandário de luz quanto as melhores escolhas e imprime em nosso psiquismo que o reino dos céus não é desta realidade e que não são escolhas materiais, mas sim, escolhas espirituais.
Referenciando-se ao contexto é possível correlacionar as três revelações com realidades do psiquismo, “seguindo de materiais a espirituais”, possível ao espírito em seu processo evolutivo, (Livro dos Espíritos, Parte II, Diferente ordem dos espíritos e Escala Espírita, pergunta 96 a 118).
Moises, Jesus e Espiritismo e o perfeito entendimento quanto a essa dualidade e as escolhas de forma clara, onde Jesus estabelece o objetivo: Viver a realidade do reino dos céus aqui e agora!
Com o advento da Doutrina Espírita ocorre a instauração do entendimento ao fim da dualidade nessa visão espiritual, esclarecendo ao ser em se ver espírito, como sua condição real e natural, logo, a certeza da imortalidade da alma e a proposta consciencial em sua depuração nas reencarnações.
Com os estudos, caberia ao espírita que entendeu o processo da codificação espírita, se ver “Espírito”, em sua natureza e assim como Jesus, declarar que seu reino, sua realidade não é deste mundo e que é preciso viver dessa forma em sua plenitude.
Cabe-nos reter o entendimento quanto ao ponto de vista declarado nesse item e em todo o capítulo, que trata dessa realidade espiritual imediata e não, como é passível de interpretação, uma realidade futura. (Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo II, item V)
 
Einstein determina para o mundo que matéria é energia e claramente validando-se a relação que a energia é matéria também. (Revista Internacional de Espiritismo: setembro 2011 “Dualidade Onda e Partícula, a evolução em dois mundos”)
É a realidade dual da luz e todas as coisas, que se expressa em sua complementaridade como onda e/ou como partícula, na incerteza de si mesmo com um comportamento de probabilidades e possibilidades em momentos de singularidades, alterando-lhe o próprio tempo e espaço, segundo sua intensidade vibracional.
“... Quanto mais se investiga a Natureza, mais se convence o homem de que vive num reino de ondas transfiguradas em luz, eletricidade, calor ou matéria, segundo o padrão vibratório em que se exprimam. Existem, no entanto, outras manifestações da luz, da eletricidade, do calor e da matéria, desconhecidas nas faixas da evolução humana, das quais, por enquanto, somente poderemos recolher informações pelas vias do espírito.” (Mecanismos da Mediunidade, de Andre Luiz) 
É possível correlacionar três níveis de visão cientifica e filosófica: A primeira revelação com Moises é determinística e cartesiana. A segunda revelação com Jesus avança e transcende no tempo e espaço relativista, apresentando a visão dualística, avançando e nos preparando para terceira revelação em suas possibilidades probabilísticas, onde é uma revelação de características “quânticas”, logo: O fim da dualidade.
A idéia de terceira revelação como a real possibilidade de uma visão mais profunda quanto a “percepção” tátil e equivocada do que se considera ser “realidade”. Na Doutrina Espírita é expresso que a vida real é a vida espiritual e que aqui é “copia” de lá, mera expressão incompleta de uma realidade maior e plena de infinitas possibilidades.
João 8.43, Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. Para entender essa realidade do cristo é preciso aceitar essa dualidade e na Doutrina Espírita se abster da dualidade e transcender a visão material do mundo.
O espiritismo em sua prerrogativa como a terceira revelação, possui em si os três níveis de entendimento em três níveis de consciência. Partindo do despertar em Moises com uma visão determinística, em Jesus impulsionando a relativizar todas as coisas em sua analise dual, entender as possibilidades no dualismo a fazer escolhas conscienciais (Livro dos Espíritos, pergunta 621)
Consubstanciando na Doutrina Espírita como a terceira revelação, na transcendência da relação física e natural (onda-partícula), aceitando a dualidade como expressão de dois momentos em uma mesma realidade: Imortalidade da alma e a reencarnação como ferramenta para o progresso e evolução espiritual.
Com o auxilio do Cristo nessa possibilidade de relativização do ponto de vista e alteração do próprio espaço-tempo, seguindo a sua visão transcendental em plenitude, alterando para si a própria realidade, percebendo-se Espírito em experiência material e não mais um ser material em experiência espiritual. Possibilitando e potencializando a perceber Jesus além da sua forma e sim já compartilhar a sua essência, a sua consciência crística e a sua verdade.
Paulo, Gálatas 2:20 Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim (...) Para esse entendedor da terceira revelação, desperto em sua consciência crística, a medida que se vê espírito, um ser atemporal, todas as questões materiais que são temporais e transitórias, passam a ter menor peso e se transformam de elementos ilusórios tangíveis para ondas de possibilidades intangíveis.
Ainda embotado em si mesmo, detentor de possibilidades infinitas a alcançar lumes de vivencias espirituais, resiste em permanecer aos contextos mosaicos e fatalistas. Padecendo preso ao processo de despertamento que de forma recorrente, é ser consciente que já despertou inúmeras vezes, mas preferiu mesmo assim voltar a dormir reencarnado, que acordar em espírito.
Existindo ordem na desordem entrópica, vivendo na negação da entropia, realizando-se em espírito e em verdade. Estabelecendo essa unicidade quântica, posicionando-se como uma consciência crística que colapsa a função de onda. Na tendência do vir a ser e ganhar a possibilidade libertadora, a mesma possibilidade libertadora que Jesus nos convida incansavelmente.
A terceira revelação é se manter acordado, desperto em qualquer situação... É estar com Jesus e viver cristicamente como assinalou Paulo em Gálatas 2:20. É necessário mudança de padrão mental para construir uma nova realidade, a terceira revelação, a Doutrina Espírita, possibilita essa mudança de padrão mental de forma raciocinada e objetiva, estar focado no objetivo para não se distrair no processo.
Amar a Deus (espírito) sobre todas as coisas (matéria)... E ao próximo (espírito) como a si mesmo (se vendo espírito). Um convite, um estímulo à permanência espiritual, mesmo na vivencia dualística.

Pai Nosso - Cap 1 - Mei Mei Chico Xavier

Movimento pela paz


domingo, 20 de maio de 2012

Joana de Cuza


JOANA DE CUZA
Entre a multidão que invariavelmente acompanhava a Jesus nas pregações do lago, achava-se sempre uma mulher de rara dedicação e nobre caráter, das mais altamente colocadas na sociedade de Cafarnaum. Tratava-se de Joana, consorte de Cuza, intendente de Antipas, na cidade onde se conjugavam interesses vitais de comerciantes e de pescadores.

Joana possuía verdadeira fé; entretanto, não conseguiu forrar-se às amarguras domésticas, porque seu companheiro de lutas não aceitava as claridades do Evangelho. Considerando seus dissabores íntimos, a nobre dama procurou o Messias, numa ocasião em que ele descansava em casa de Simão e lhe expôs a longa série de suas contrariedades e padecimentos. O esposo não tolerava a doutrina do Mestre. Alto funcionário de Herodes, em perene contato com os representantes do Império, repartia as suas preferências religiosas, ora com os interesses da comunidade judaica, ora com os deuses romanos, o que lhe permitia viver em tranqüilidade fácil e rendosa. Joana confessou ao Mestre os seus temores, suas lutas e desgostos no ambiente doméstico, expondo suas amarguras em face das divergências religiosas existentes entre ela e o companheiro.

Após ouvir-lhe a longa exposição, Jesus lhe ponderou:

– Joana, só há um Deus, que é o Nosso Pai, e só existe uma fé para as nossas relações com o seu amor. Certas manifestações religiosas, no mundo, muitas vezes não passam de vícios populares nos hábitos exteriores. Todos os templos da Terra são de pedra; eu venho, em nome de Deus, abrir o templo da fé viva no coração dos homens. Entre o sincero discípulo do Evangelho e os erros milenários do mundo, começa a travar-se o combate sem sangue da redenção espiritual. Agradece ao Pai o haver-te julgado digna do bom trabalho, desde agora. Teu esposo não te compreende a alma sensível? Compreender-te-á um dia. É leviano e indiferente? Ama-o, mesmo assim. Não te acharias ligada a ele se não houvesse para isso razão justa. Servindo-o com amorosa dedicação, estarás cumprindo a vontade de Deus. Falas-me de teus receios e de tuas dúvidas. Deves, pelo Evangelho, amá-la ainda mais. Os sãos não precisam de médico. Além disso, não poderemos colher uvas nos abrolhos, mas podemos amanhar o solo que produziu cardos envenenados, afim de cultivarmos nele mesmo a videira maravilhosa do amor e da vida.

Joana deixava entrever no brilho suave dos olhos a íntima satisfação que aqueles esclarecimentos lhe causavam; mas, patenteando todo o seu estado dalma, interrogou :

– Mestre, vossa palavra me alivia o espírito atormentado; entretanto, sinto dificuldade extrema para um entendimento recíproco no ambiente do meu lar. Não julgais acertado que lute por impor os vossos princípios? Agindo assim, não estarei reformando o meu esposo para o céu e para o vosso reino?

O Cristo sorriu serenamente e retrucou :

– Quem sentirá mais dificuldade em estender as mãos fraternas, será o que atingiu as margens seguras do conhecimento com o Pai, ou aquele que ainda se debate entre as ondas da ignorância ou da desolação, da inconstância ou da indolência do espírito? Quanto à imposição das idéias – continuou Jesus, acentuando a importância de suas palavras – por que motivo Deus não impõe a sua verdade e o seu amor aos tiranos da Terra? Por que não fulmina com um raio o conquistador desalmado que espalha a miséria e a destruição, com as forças sinistras da guerra? A sabedoria celeste não extermina as paixões : transforma-as. Aquele que semeou o mundo de cadáveres desperta, às vezes, para Deus apenas com uma lágrima. O Pai não impõe a reforma a seus filhos: esclarece-os no momento oportuno. Joana, o apostolado do Evangelho é o de colaboração com o céu, nos grandes princípios da redenção. Sê fiel a Deus, amando ao teu companheiro do mundo, como se fora teu filho. Não percas tempo em discutir o que não seja razoável. Deus não trava contendas com as suas criaturas e trabalha em silêncio, por toda a Criação. Vai!... Esforça-te também no silêncio e, quando convocada ao esclarecimento, fala o verbo doce ou enérgico da salvação, segundo as circunstâncias! Volta ao lar e ama ao teu companheiro como o material divino que o céu colocou em tuas mãos para que talhes uma obra de vida, sabedoria e amor!...

Joana do Cuza experimentava um brando alívio no coração. Enviando a Jesus um olhar de carinhoso agradecimento, ainda lhe ouviu as ultimas palavras:

– Vai, filha!... Sê fiel!

Desde esse dia, memorável para a sua existência, a mulher de Cuza experimentou na alma a claridade constante de uma resignação sempre pronta ao bom trabalho e sempre ativa para a compreensão de Deus, como se o ensinamento do Mestre estivesse agora gravado indelevelmente em sua alma, considerou que, antes de ser esposa na Terra, já era filha daquele Pai que, do Céu, lhe conhecia a generosidade e os sacrifícios. Seu espírito divisou em todos os labores uma luz sagrada e oculta.

Procurou esquecer todas as características inferiores do companheiro, para observar somente o que possuía ele de bom, desenvolvendo, nas menores oportunidades, o embrião vacilante de suas virtudes eternas. Mais tarde, o céu lhe enviou um filhinho, que veio duplicar os seus trabalhos; ela porém, sem olvidar as recomendações de fidelidade que Jesus lhe havia feito, transformava suas dores num hino de triunfo silencioso em cada dia.

Os anos passaram e o esforço perseverante lhe multiplicou os bens da fé, na marcha laboriosa do conhecimento e da vida. As perseguições políticas desabaram sobre a existência do seu companheiro. Joana, contudo, se mantinha firme. Torturado pelas idéias odiosas de vingança, pelas dívidas insolváveis, pelas vaidades feridas, pelas moléstias que lhe verminaram o corpo, o ex-intendente de Antipas voltou ao plano espiritual, numa noite de sombras tempestuosas. Sua esposa, todavia, suportou os dissabores mais amargos, fiel aos seus ideais divinos edificados na confiança sincera. Premida pelas necessidades mais duras, a nobre dama de Cafarnaum procurou trabalho para se manter com o filhinho, que Deus lhe confiara! Algumas amigas lhe chamaram a atenção, tomadas de respeito humano. Joana, no entanto, buscou esclarecê-las, alegando que Jesus, igualmente, havia trabalhado, calejando as mãos nos serrotes de uma carpintaria singela e que, submetendo-se ela a uma situação de subalternidade no mundo, se dedicara primeiramente ao Cristo, de quem se havia feito escrava devotada.

Cheia de alegria sincera, a viúva de Cuza esqueceu o conforto da nobreza material, dedicou-se aos filhos de outras mães, ocupou-se com os mais subalternos afazeres domésticos, para que seu filhinho tivesse pão. Mais tarde, quando a neve das experiências do mundo lhe alvejou os primeiros anéis da fronte, uma galera romana a conduzia em seu bojo, na qualidade de serva humilde.

No ano 68, quando as perseguições ao Cristianismo iam intensas, vamos encontrar, num dos espetáculos sucessivos do circo, uma velha discípula do Senhor amarrada ao poste do martírio, ao lado de um homem novo, que era seu filho.

Ante o vozerio do povo, foram ordenadas as primeiras flagelações.

– Abjura!... – Exclama um executar das ordens imperiais, de olhar cruel e sombrio. Mas, a antiga discípula ao Senhor contempla o céu, sem uma palavra de negação ou de queixa. Então o açoite vibra sobre o rapaz seminu, que exclama, entre lágrimas: – “Repudia a Jesus, minha mãe!...

Não vês que nos perdemos?! Abjura!... por mim que sou teu filho!...”

Pela primeira vez, dos olhos da mártir corre a fonte abundante das lágrimas. As rogativas do filho são espadas de angústia que lhe retalham o coração.

– Abjura!... Abjura!

Joana ouve aqueles gritos, recordando a existência inteira. O lar risonho e festivo, as horas de ventura, os desgostos domésticos, as emoções maternais, os fracassos do esposo, sua desesperação e sua morte, a viuvez, a desolação e as necessidades mais duras... Em seguida, ante os apelos desesperados do filhinho, recordou que Maria também fora mãe e, vendo o seu Jesus crucificado no madeiro da infâmia, soubera conformar-se com os desígnios divinos. Acima de todas as recordações, como alegria suprema de sua vida, pareceu-lhe ouvir ainda o Mestre, em casa de Pedro, a lhe dizer: – “Vai filha! Sê fiel!” Então, possuída de força sobre-humana, a viúva de Cuza contemplou a primeira vítima ensangüentada e, fixando no jovem um olhar profundo e inexprimível, na sua dor e na sua ternura, exclamou firmemente:

– Cala-te, meu filho! Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício. Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque, acima de todas as felicidades transitórias do mundo, é preciso ser fiel a Deus!

A esse tempo, com os, aplausos delirantes do povo, os verdugos incendiavam, em derredor, achas de lenha embebidas em resina inflamável. Em poucos instantes, as labaredas lamberam-lhe o corpo envelhecido. Joana de Cuza contemplou, com serenidade, a massa de povo que lhe não entendia o sacrifício. Os gemidos de dor lhe morriam abafados no peito opresso. Os algozes da mártir cercaram-lhe de impropérios a fogueira:

– O teu Cristo soube apenas ensinar-te a morrer? – Perguntou um dos verdugos.

A velha discípula, concentrando a sua capacidade de resistência, teve ainda forças para murmurar:

– Não apenas a morrer, mas também a vos amar!...

Nesse instante, sentiu que a mão consoladora do Mestre lhe tocava suavemente os ombros, e lhe escutou a voz carinhosa e inesquecível:

– Joana, tem bom ânimo!... Eu aqui estou! ...

pelo Espírito Humberto de Campos (Irmão X) - Do livro: Boa Nova, Médium: Francisco Cândido Xavier