sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dirigentes sem preparo - Centros sem estrutura


Dirigentes sem preparo - Centros sem estrutura

Orson Peter Carrara

A qualidade em questão
(trabalho apresentado no 12.º Congresso Estadual de Espiritismo, realizado pela USE – União das Sociedades Espíritas, em Campinas-SP, no período de 17 a 20 de abril de 2003, no módulo UNIFICAÇÃO)

A ausência do conhecimento doutrinário, a falta de vivência ou preparo nas áreas de administração e relacionamento humano, têm sido causa dos equívocos dos dirigentes e que repercutem nos Centros Espíritas.
Alçados à gestão de uma instituição, causam enorme prejuízo na correta expansão do pensamento espírita e na preparação de trabalhadores e continuadores, muitas vezes causando decepções e afastamentos de valorosos tarefeiros em potencial.
Os prejuízos estendem-se também nos benefícios morais e intelectuais que podem ser espalhados em favor da coletividade.
Como conseqüência direta de lideranças despreparadas, os grupos desestruturam-se ou já são formados sem o mínimo de estrutura, improvisados, com evidentes desvios da finalidade principal dos centros espíritas.
Dirigentes devem preparar-se para uma administração eficiente, com visão de futuro, planejamento de atividades, motivação ao grupo e total embasamento doutrinário. 
Esta consciência formará adeptos conscientes e esclarecidos e adequará os grupos espíritas para bem cumprirem seus objetivos, pois que com integração interna bem estruturada e motivada, teremos instituições bem preparadas. 
Vale lembrar que as instituições refletem o conhecimento de seus dirigentes e integrantes.
A qualidade dos serviços oferecidos devem primar pela clareza, ética, objetividade e fidelidade aos princípios espíritas. 
Isto solicita permanente reciclagem dos tarefeiros e constante reavaliação, acompanhamento das atividades.
Há um quesito fundamental para se alcançar tudo isso: participação. Somente os que participam, não se isolam, é que alcançam o referencial de auto-análise. 
Na verdade, percebe-se com clareza as vantagens da unificação, com dirigentes preparados e centros bem estruturados, pois o intercâmbio de idéias também qualifica, ainda que não completamente.
A situação de despreparo e desestrutura sugerem que há dificuldades para a vivência do espiritismo prático (não restrito à prática mediúnica, mas englobando também a própria vivência da Doutrina Espírita).

O que fazer?

Naturalmente que um caminho imediato para as dificuldades apresentadas é o diálogo entre os integrantes do grupo, buscando-se soluções. 
Para tanto, pode-se pensar na implantação de uma Oficina de Idéias, que organiza com adequação à própria realidade. 
Trata-se de recurso onde todos os participantes apresentam sugestões para superar um problema específico, por exemplo. Apresenta-se uma dificuldade e colhe-se as sugestões de superação.
Outro caminho é integrar o grupo ao movimento dos demais grupos. 
O intercâmbio entre grupos constitui poderosa ferramenta de superação de dificuldades, de vez que a troca de experiências fortalece os relacionamentos e cria referenciais de auto-análise e observação mútua para todos os envolvidos. 
E tudo isto sem qualquer imposição ou posturas fiscalizadoras.
Neste ponto já podemos analisar a questão da qualidade, que é resultante da soma de pessoas, percepções e processos, considerando-se as diferenças individuais das pessoas (particularidades, personalidade, caráter, temperamento, antecedentes, etc), a experiência viva de cada um que altera as percepções (maneira de enxergar e entender) e os processos (meios) pelas quais as coisas se desenvolvem, tendo por base a ação humana. 
Ora, o foco da qualidade é o ser humano. As atividades humanas, inclusive aquelas inspiradas pelo ideal espírita, devem primar pelo bom atendimento das aspirações éticas da sociedade. 
E isto inclui o preparo do dirigente espírita, tanto quanto o preparo e estrutura das instituições espíritas que dirigem.

E como a Doutrina Espírita baseia-se na lógica, no bom senso e no amor, o afeto é a base que deve nortear a organização e o relacionamento numa instituição inspiradas pelas bases do Espiritismo.
A proposta que se busca, pois, para vencer as dificuldades existentes, pode ser resumida em três itens:
a) Humanização do Centro Espírita;
b) Participação (interna e externa), que produz vivência e experiência;
c) Permanente atualização de conhecimentos e vivência

Os itens são claros. Humanizar significa trazer para o cotidiano das atividades o sentido do afeto, da amizade entre os integrantes. Participar torna-se meio indispensável para formação de um referencial que se torna o norteamento para condução planejada, produzindo experiência. O motivo principal, no entanto, da presente matéria, está no último item.
A permanente atualização de conhecimentos e vivência é questão vital para que sejamos ou tenhamos dirigentes preparados em instituições estruturadas, ao contrário da realidade muitas vezes apresentadas de despreparo ou desestrutura.
Esta atualização é sinônimo de reciclagem, de capacitação. 
O assunto é tão importante que o próprio Conselho Federativo Nacional, da Federação Espírita Brasileira, está promovendo treinamento de multiplicadores para atuarem no projeto "Capacitação Administrativa de Dirigentes de Casas Espíritas".
O projeto, com cronograma para todo o País, inclui treinamentos e cursos e o objetivo é orientar sobre questões quanto à sobrevivência das instituições (recursos financeiros), acompanhamento efetivo das tarefas desenvolvidas (considerando as alterações da vida social e o próprio progresso humano) e atendimento às exigências legais e fiscais (inclusive em face do novo Código Civil e ainda considerando a independência e autonomia das instituições).
1- Vide matéria publicada em Reformador de junho de 2003 com o título Das dificuldades do Espiritismo prático, páginas 22 a 24.
Matéria publicada originariamente no jornal Verdade e Luz, de Rib. Preto, edição de julho/04.

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