quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ovóides

Ovóides


No espiritismo vez ou outra nos deparamos com a palavra “Ovóides”, geralmente ligada a comentários sobre obsessões; mas o que são esses tais “ovoides”?
Para poder abordar esse assunto deve-se antes ter noção de o que é obsessão, onde podemos definir como espíritos que através de influencias telepáticas nos impulsionam para o mal e/ou nos causa danos físicos ou mentais, sobre esses espíritos Kardec afirma: “Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então Inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional se não no Espiritismo.”[...] “As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os Maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos “sucumbir e assemelhar-nos a eles.”[1]
 Sobre essa ótica, Emmanuel comenta que obsessão é: “[...] o equilíbrio de forças inferiores, retratando-se entre si” [2]
Os “ovoides”, são uma tipo de obsessor, onde seu nome foi definido devido a seu formato (ovo), André Luiz na obra “Evolução em dois mundos”  nos diz que : “os órgãos do períspirito se voltam, instintivamente, para a sede do governo mental, onde se localizam, ocultos e definhados, no fulcro dos pensamentos em circuito fechado sobre si mesmos, quais implementos potenciais do germe vivo entre as paredes do ovo”. Diz-se então que o “desencarnado perdeu o seu corpo espiritual, transubstanciando-se num corpo ovóide”
“A forma ovoide guarda consigo todos os órgãos de exteriorização da alma, tanto nos planos espirituais quanto nos terrestres, tal qual o ovo ou a semente, que trazem em si a ave ou a árvore do futuro.”[3]
Suely Caldas Schubert nos revela no livro “Obsessão e desobsessão” que após o desencarne, espíritos desejosos de vingança ou ainda presos a vícios, envolvem e influenciam aqueles que lhes são objeto de perseguição ou atenção e auto hipnotizam-se com as próprias ideias, que se repetem indefinidamente. em consequência, os órgãos do perispírito se retraem, por falta de função, assemelhando-se então a ovóides .
“vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação”, por trazerem os fatores predisponentes, quais sejam, a culpa, o remorso, o ódio, o egoísmo, que externam em vibrações incessantes, sob o comando da mente. Configurasse, neste caso, a parasitose espiritual.”[4]
André Luiz explica que esses ovóides são como grandes amebas, do tamanho de um crânio humano. Mesmo em repouso, elas estão ligadas ao halo vital de outras personalidades.[5]
Todavia, devemos tomar alguns cuidados sobre as informações que são passadas a respeito desse tema, J. Herculano Pires, nos lembra em seu livro “Vampirismo” que a ação vampiresca desses ovóides é aceita por muitos espíritas amantes de novidades. Mas  essa novidade não tem condições científicas nem respaldo metodológico para ser integrada na doutrina. Nenhuma pesquisa séria, por pesquisadores competentes, provou a realidade dessa teoria.
“Não basta o conceito do médium para validá-la. As exigências doutrinárias são muito mais rigorosas no, tocante . à aceitação de novidades. O Espiritismo estaria sujeito à mais completa deformação, se os espíritas se entregassem ao delírio dos caçadores de novidades.”[6]
Essa afirmação de Herculano é enfatizada no tocante aos cuidados com as mensagens/informações que recebemos a respeito desses parasitas, e deixa claro isso  quando afirma:
“No caso do parasitismo e do vampirismo todo rigor é pouco, pois os erros e os enganos de interpretação podem levar os trabalhos de cura a descaminhos perigosos.
  Se não encararmos o parasitismo e o vampirismo em termos rigorosamente doutrinários, no devido respeito ao método kardeciano, estaremos sujeitos a ser enganados por espíritos mistificadores que passarão a nos vampirizar. Porque o vampirismo é um fenômeno típico das relações interpessoais. Na vida material como na vida espiritual o vampirismo é um processo comum e universal do relacionamento afetivo e mental das criaturas. ”[7]
Os ovoides, parasitam sobre suas vitimas na maioria das vezes por afinidade e/ou vingança; isso ocorre porque  como em tudo na Natureza, ocorre a busca do equilíbrio pelas trocas energéticas. As trocas se fazem ao nível do períspirito, do corpo físico e da mente. Fluídos mentais, perispirituais, e fisiológicos são assimilados ou eliminados, alterando-se o estado mental, peripiritual e fisiológico.
Destas trocas, pode resultar aquilo que André Luiz chamou de “Infecções Fluídicas”. Quando desencarnados atuam sobre encarnados, empolgando-lhes a imaginação com formas mentais monstruosas, determinando o colapso cerebral com arrasadora loucura.
“A dependência em que o homem se acha, algumas vezes, em relação aos Espíritos inferiores, provém de sua entrega aos maus pensamentos que estes lhe sugerem, e não de quaisquer acordos feitos entre eles. O pacto, no sentido vulgar do termo, é uma alegoria que simboliza uma natureza má simpatizando com Espíritos malfazejos.”[8]
Emmanuel complementa:
“Em verdade, os Espíritos são atraídos pelos pensamentos e não pelas coisas materiais, que são utilizadas como “bengalas” psicológicas para alcançar seu objetivo”[9]
Para evitar e/ou afastar esses seres é necessário conhecimento da doutrina…, reforma intima e acima de tudo compreensão tanto de o que é seu obsessor quanto os motivos que ele o vampiriza, na maioria das vezes os fatores sexuais e viciosos são o de maior pertinência.
“[...] nos centros e grupos espíritas bem orientados, as perturbações espirituais de ordem sexual são tratadas de maneira especial, em pequenas reuniões privativas, com médiuns que disponham de condições para enfrentar o problema. Como no caso das obsessões alcoólicas, toxicômanas e outras do mesmo gênero, é necessário o máximo cuidado na seleção das pessoas que vão tratar do assunto e o maior sigilo e respeito, a fim de evitar-se o prejuízo dos comentários negativos, que influem fatalmente sobre o caso, provocando agravamentos inesperados da situação das vítimas”.[10]


[1] Allan Kardec. “O Livro dos Espíritos”, Introdução.
[2] Trecho retirado do livro: “Pensamento e vida” de  Francisco C. Xavier pelo espírito de Emmanuel.
[3] Evolução em dois Mundos, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, capítulo  12, 5ª edição FEB.
[4] Trecho do Livro “Obsessão e Desobsessão” de Suely Caldas Schubert.
[5]  Afirmação feita no livro “Libertação”, p.84.
[6] Trecho retirado do livro “Vampirismo” Cap. II  Parasitas e Vampiros p.08;  de J. Herculano Pires.
[7] Trecho retirado do livro “Vampirismo” Cap. II  Parasitas e Vampiros p.08;  de J. Herculano Pires.
[8] Trecho retirado do comentário deAllan Kardec à q. 549, no  “O livro   dos espíritos”.
[9] XAVIER, Francisco C. - O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Q. 214. Ed:  FEB, Rio de Janeiro: 2009.
[10] Retirado do capítulo VIII do livro: “Mediunidade Vida e Comunicação” de J. Herculano Pires.



Marcos Paterra (João Pessoa/PB)

é articulista e membro do movimento espírita paraibano,
colaborador de diversos sites e jornais espíritas
marcos.paterra@gmail.com



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