segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Dirigente e os Limites das Funções


O Dirigente e os Limites das Funções

Sérgio Biagi Gregório
Tese: limitar-se à função é um dos grandes problemas do Centro Espírita.
No Centro Espírita, o trabalho é voluntário; cada um dos seus colaboradores doa tempo, força e recursos pessoais para a realização do bem comum. Muitos deles participam da Diretoria Executiva ou dos diversos departamentos constitutivos. Ao fazerem parte de um corpo diretivo, deveriam cumprir as diretrizes estabelecidas no estatuto da Entidade.
Não é bem assim que funciona: uns pecam pelo excesso; outros, pela falta. O meio termo é um caminho difícil. Extrapolando os limites da função, uns passam por cima dos outros. Não percebem o mal que causam à organização, pois aquele que se sentiu ferido pode perder o entusiasmo, boicotar eventos, falar mal da Entidade e criar um clima de animosidade entre todos os frequentadores.
O colaborador pode estar agindo com as melhores intenções, trabalhando cada vez mais, até no sentido de arrecadar fundos para as obras assistenciais. Não percebe, porém, que aquele trabalho pertence a um outro departamento, a uma outra direção. Pronto. Está formada a confusão, o "diz que me diz", a desarmonia. Os Espíritos obsessores, por seu turno, não perdem tempo. Eles aproveitam os desequilíbrios dos colaboradores e incentivam ainda mais os ressentimentos, os melindres e a maledicência.
Ao detectar este problema, o dirigente pode pensar: é melhor deixar como está para ver como fica. Se assim fizer não estará exercendo a sua função, que é organizar, planejar, delegar tarefas e cobrar resultados. A sua tarefa é manter a harmonia entre todos os departamentos, para que a organização aprenda com seus erros. Lembremo-nos de que um erro não corrigido passa por uma verdade. Depois, a correção fica mais difícil.
Os Espíritos superiores têm muito interesse no bom funcionamento dos Centros Espíritas, pois é por meio deles que o Espiritismo é disseminado no mundo todo. Quanto mais cuidado tiverem, mais produtiva será a divulgação doutrinária. O dirigente espírita deve se colocar como um intermediário desses Espíritos de luz. Se assim fizer receberá as inspirações necessárias para bem conduzir o seu grupo de trabalho.
O Espírito Emmanuel, em Emmanuel, diz-nos que "Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso". Em vista disso, o dirigente deve ter em mente que os frequentadores de uma Casa Espírita, na sua grande maioria, precisam de muita compaixão.
O dirigente deve se lembrar da frase: "Lavar a escada de cima para baixo". Ou seja, o exemplo deve vir de cima. Na qualidade de dirigente, ele deve ser o primeiro a dar o exemplo. Como pregar a caridade se não é caridoso para com os seus colaboradores? Não é uma contradição? Prega uma coisa e pratica outra? Desapegar-se da função, da sala e do amor próprio é um bom exercício.
O bom dirigente deve administrar o egoísmo e o apego, colocando-se à disposição dos interesses dos outros, sem exigir qualquer tipo de reconhecimento.

José Ferraz - Espiritizar, Qualificar e Humanizar.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

AS MUITAS MÁSCARAS QUE USAMOS


As muitas máscaras que usamos

Enéas Martim Canhadas

Todos nós?

Sim. As máscaras que usamos são as maneiras como a nossa personalidade se apresenta ao meio onde convive e para o mundo no qual existe e se relaciona. Os Espíritos, uma vez encarnados, passam a usar máscaras para apresentarem-se como são. Assim somos um Espírito dotados da personalidade com que desejamos ser reconhecidos. As máscaras que usamos são intermediárias entre a nossa essência - Anima - (Alma na conceituação de Jung[1] ) e a nossa exterioridade, Persona[2]  pela qual nos apresentamos.

É possível exemplificar?

A pessoa altruísta, a auto suficiente, a pessoa carinhosa, a que está sempre desconfiada, a egoísta, a briguenta, a honesta, a pessoa carente ou parasita, a que se faz pai ou mãe de todos, a mentirosa, narcisista, a otimista ou pessimista, a pessoa colaboradora ou individualista, a pusilânime fraca de ânimo e sem firmeza, a religiosa, a sofredora, a solitária, a sonhadora, são alguns exemplos de máscaras que usamos. Não se trata, portanto, de negativo ou positivo, de bom ou mau. São maneiras de ser que compõem a personalidade de alguém e fazem parte da alma, isto é, da essência da pessoa.

Afinal de contas, somos obrigados a usar máscaras ou devemos tirá-las?

Não se trata de desvencilhar-nos das máscaras, como tiramos uma roupa que não vamos mais usar. A questão é que, precisamos das máscaras todos os dias. É assim que garantimos o desempenho dos vários papéis nas nossas vidas ao nos relacionarmos.  São atitudes adequadas para as várias circunstâncias que se apresentam na vida. O que importa é a consciência de que elas representam faces da personalidade que vêm da nossa Alma, como partes do todo que somos. Não se trata de eliminar as máscaras mas de aprender a conviver com elas, até que um dia não tenhamos mais necessidade disso. Dessa convivência, decorrem o nosso desenvolvimento intelectual, psíquico-emocional, moral e espiritual traduzindo a nossa atuação de ser-no-mundo, o que nos dá uma identidade. Este caráter mediador das máscaras, constituem-se em bastões em que nos apoiamos para dar conta do nosso modo de ser. São alavancas quando podemos mostrar um pouco mais da nossa essência interior em atitudes e são margens dando-nos a noção dos nossos limites e competências. Este “caminhar mascarado” nos conduzem na trajetória rumo à plenitude espiritual. 

Mas, não somos as nossas próprias máscaras?

Não somos. Aí é que está o “x” da questão.Pensar que somos a própria máscara faz-nos perder de nós mesmos. Se não houver nada além da máscara, seremos parciais, incompletos, pedaços de Espírito e não um Espírito uno. Se fôssemos pedaço de Espírito, seríamos como mônadas[3]  aleijadas ou mutiladas, incapazes de, um dia, alcançar a plenitude. Somos um “holos[4] ” em desenvolvimento. Somos completos e caminhamos para viver em plenitude. O que aprendemos não ocupa espaço e nem precisa produzir tentáculos. Assim desenvolvemo-nos como um todo. O problema não é de crescimento físico, mas sim de ampliação da consciência, e consciência não ocupa um espaço geograficamente delimitado. Quando alguém identifica-se ou deixa-se absorver pela persona, isto é, pela máscara, passando a conviver com os outros assim, estará fugindo ou afastando-se da própria essência. Isto significa, em termos práticos, que está esquecendo de si mesmo, perdendo o foco da busca pessoal, desvia-se dos seus projetos futuros. Neste caso, a pessoa ficará sujeita ou escravizada às opiniões alheias. Torna-se mais preocupada com o que os outros esperam ou pensam dela. Torna-se alguém que parece não ter vontade própria e passa a depender das opiniões e aprovações de amigos, parentes, pais e demais pessoas da sua convivência. Sente-se infeliz mediante qualquer comentário que não aprove suas ações, decisões, escolhas ou preferências Sentirá insegurança com medo de ter que enfrentar a realidade. Qual realidade? A de que necessita apropriar-se de seus desejos e preferências, idéias ou opiniões, escolhas ou pontos de vista, mesmo que não coincidam com o que os outros gostam. Escolher os próprios caminhos, é a maior tarefa de quem caminha.

Então temos que tirar as máscaras para mostrar a Alma?

Também não é assim. Identificar-se com a Anima (Alma para Jung),  significa ser uma pessoa voltada inteiramente para dentro de si mesma, tornando-se egoísta, individualista ou auto centrada, o que não permite uma relação com o mundo e com as pessoas, porque ela está em contato apenas consigo mesma. A música composta por Antonio Nóbrega[5]  e Wilson Freire, diz assim: “Menina, vou te ensinar como é que se namora: põe a alma no sorriso e o sorriso põe pra fora”. Esta figura fala claramente da essência e da máscara que se usa para manifestar tal atitude. “A máscara social é, portanto, a veste necessária para a adaptação social. Com efeito, esta é entendida como indispensável por si, ou então como aquilo ao qual nenhum de nós pode renunciar. (O caráter necessário atribuído à mascara deve ser entendido como uma impossibilidade para a nudez. Aquilo que está em questão, portanto, não é o despojar-se da máscara em nome de possível nudez, e sim a possibilidade de representar uma ulterioridade ou um além em relação à máscara, isto é, através de tal noção, o indivíduo é convidado a sair do engano de trocar tal “parte” com o todo da sua individualidade e, portanto, do erro de considerar que sob, por trás ou além da máscara não exista outra coisa)”[6] . Pensar que podemos dispor das máscaras ainda não nos é possível. Ainda não podemos expor a nudez do nosso próprio Espírito. Devido a imaturidade, somos apegados a velhos hábitos[7] . Quando Adão e Eva viram-se nus no Paraíso, procuraram cobrir sua nudez, simbolizando que ainda não estavam preparados para ela. Não podemos nos suportar nus e despojados. Não somos capazes de suportar os nossos pensamentos, incongruências, anseios, desejos, maus quereres, preconceitos, motivos, etc. quando ficam à mostra para os outros pois, nos veríamos cheios de dúvidas, medos, inseguranças, vergonhas e incertezas de todo tipo.

Parece que a gente é o que é sem tirar e nem por . . .

Se isto significar consciência de si mesmo, é verdadeiro. Existe ainda um outro tipo de máscara que é a “máscara funerária, o arquétipo imutável, no qual supostamente a morte se reintegra” segundo M. Burckhardt[8] . As suposições deste pesquisador vão mais além quando diz “não se dar sem perigo quando se trata de um indivíduo que não atingiu certo grau de elevação espiritual.” No Egito antigo portanto, a máscara mortuária significava a paralisação, a impossibilidade de mudar, cessando o aprimoramento, ainda acarretando riscos para quem não tivesse elevação espiritual. Isto sabemos segundo a Doutrina Espírita quando Espíritos ficam presos por fascinação ou outros motivos à sua personalidade passada. O aprimoramento do Espírito prossegue a cada novo projeto encarnatório, e usando outras máscaras, representaremos novas condições adquiridas. Entretanto, afinidades com máscaras usadas em tempos passados permitem que os espíritos, tenham preferências por esta ou aquela aparência ao se apresentarem para os encarnados. Para Espíritos esclarecidos, trata-se apenas de mera preferência.

Como entender, ao mesmo tempo, que a evolução prossegue na dimensão espiritual?

A evolução no Plano Espiritual, não dispensa a prática que tem lugar no campo do exercício terreno, condição diferenciada de residência transitória na matéria, para consolidar mudanças e aprendizados. Somos muito vulneráveis às mudanças quando ainda não tenham adquirido consistência na vivência prática, no exercício das relações com os outros. As encarnações sucessivas bem justificada pelo comentário no Livro dos Espíritos à resposta da pergunta 619 reitera que “a justiça da multiplicidade de encarnações do homem decorre deste princípio, pois a cada nova existência, sua inteligência se torna mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é o bem e o que é o mal”. As sucessivas encarnações não significam simples capricho da resolução criadora de Deus que se concretiza pela evolução. É condição normal e prática[9]  uma vez que “a alma compreende a lei de Deus,  segundo o grau de perfeição a que tenha chegado e conserva a sua lembrança intuitiva após a união com o corpo (...). É, como poderíamos dizer, a práxis do Espírito.
[1]  Carl Gustav Jung (1875-1961) psiquiatra suiço nascido a 26 de julho de 1875, em Kresswil, Basiléia, na Suíça, no seio de uma família voltada para a religião. Seu pai e vários outros parentes eram pastores luteranos, o que explica, em parte, desde a mais tenra idade, o interesse do jovem Carl por filosofia e questões espirituais e o papel da religião no processo de maturação psíquica das pessoas, povos e civilizações.
Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, à beira do lago de Zurique, em Küsnacht após uma longa vida produtiva.
[2]  Termo latino que indica a máscara que o ator teatral, tanto cômico como trágico, punha no próprio rosto no decorrer da representação. Usado para designar indiferentemente um aspecto da personalidade, da psique coletiva ou mundana que se encontra dentro da própria personalidade; uma estrutura da psique e, portanto, uma das subpersonalidades que giram ao redor do Eu, cuja relação com o próprio Eu muda continuamente no curso da vida; a imagem que o indivíduo mostra externamente, e enquanto tal um dos aspectos mais exteriores do próprio indivíduo; papel ou o “status social” do indivíduo nas relações com o mundo (cultural e social, e portanto, o aspecto que ele assume nas relações com a cultura e com a sociedade.
[3]  Do Latim monade e do grego monás, ádos, que quer dizer único. Em Biologia é o organismo ou unidade orgânica diminuta e muito simples. Em Filosofia, segundo Leibniz, cada uma das substâncias simples e de número infinito, de natureza psíquica (dotada de apercepção e apetição), e que não têm qualquer relação umas com as outras, que se agregam harmoniosamente por predeterminação da divindade, constituindo as coisas de que a natureza se compõe. Dicionário Aurélio Século XXI.
[4]  Do grego hólos,  e quer dizer inteiro, completo, indiviso, compacto, homogêneo, fundamenta a teoria segundo a qual o homem é um todo indivisível, e que não pode ser explicado pelos seus distintos componentes (físico, psicológico ou psíquico), considerados separadamente.
[5]  Composição de Antonio Nobrega, como ele mesmo se intitula “folgazão rabequeiro, dançador e cantor-brincante reconhecido”, e Wilson Freire, “Lição de Namoro” faixa do CD “Madeira que Cupim não Rói”, gravadora Eldorado.
[6]  Citado no Dicionário Junguiano dirigido por Paolo Francesco Pieri (Florença 1943), membro ordinário da International Association of Analytical Psychology, analistya com funções didáticas junto ao Centro Italiano di Psicologia Analítica, Paulus, em co-edição com Edit. Vozes, São Paulo, 2002.
[7]  Ler o capítulo “Velhos Hábitos” do livro “Renovando Atitudes” de Francisco do Espírito Santo Neto pelo Espírito Hammed, Edit. Boa Nova, Catanduva-SP., 1988. 
[8] Citado no Dicionário de Símbolos, verbete Máscara, autores: Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, José Olympio Edit., Rio de Janeiro, 1988.    
[9]  Resposta à pergunta 620 do Livro dos Espíritos.

LOBOS EM PELE DE OVELHA.

Leonardo Pereira

Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. (Mateus 7 v.15).

Jesus em suas palavras se referia diretamente aos doutores da lei e alcançava os judeus de forma geral e mais precisamente aos que se apresentavam com a máscara da bondade, da humildade, da retidão e do amor. Estes eram representados pela ovelha, um animal dócil e afável. Por outro lado, apresentava como a figura do lobo todos aqueles que agiam no orgulho, na soberba, nas sombras, tramando, desejando o mal, humilhando os seus semelhantes.
Estes verdadeiros lobos famintos de poder, de riqueza e de domínio sobre o outro, através da falsidade se impõem como criaturas perfeitas e desejosas de guiar as almas, ou melhor, seu rebanho de ovelhas para a salvação.

A bem da verdade, Jesus, um mestre por excelência, já conhecendo os espíritos ali reencarnados, sabendo da verdadeira natureza dos mesmos e de seus grandes males e ignorâncias - sendo o principal deles o orgulho do qual deriva a vaidade e o egoísmo - alerta o espírito viajor para a necessidade de mudanças. Contudo, essas mudanças não devem ser externas, aparentes, fingidas, mas sim de dentro para fora. Devem ser medidas, avaliadas, compreendidas, vivenciadas no dia a dia da religião e da sociedade.

Dois mil anos se passaram e a fala do pastor de almas anotada pelo evangelista nos parece atual, necessária e nos chama a fazer uma avaliação profunda e urgente.
É necessário sair do marasmo de nossas vidas, complicadas e cheias de dramas, removendo as mascaras criadas para a projeção na sociedade e mesmo para as relações familiares.

Ao longo de nossa esteira evolutiva criamos estas muitas máscaras, as quais volta e meia trocamos de acordo com as nossas necessidades.

Não podemos deixar de aproveitar o ensejo e citar aqui algumas delas: mascara de bonzinho, de amoroso, de humilde, prestativo, sem cultura, intelectual, honesto, fiel, dedicado, indulgente, doce, solidário. Estes são apenas alguns exemplos entre as tantas outras facetas que nós, os espíritos, apresentamos no campo da vida física, independente do sexo ou da sexualidade.

Essas "personas" invadem também as instituições religiosas de todas as denominações, e são muitas, umas bem recentes e outras tantas que se arrastam pelos séculos e séculos em práticas externas sem nenhuma reforma moral por grande parte de seus sacerdotes ou freqüentadores .

As instituições espíritas não estão isentas e essas máscaras estão presentes principalmente entre alguns de seus lideres que se julgam profetas de uma nova doutrina. Enraizados nos enganos do passado e no atavismo religioso adentram a Doutrina Espírita e querem de toda forma modificar os seus postulados. Em nome do espiritismo igrejeiro, pessoal, em benefício próprio, intentam fazerem das instituições e nas instituições o que bem entendem.

Tais indivíduos encontram-se desequilibrados, viciados, doentes da alma. São verdadeiras montanhas russas emocionais e estão moralmente arruinados, mas se mostram mascarados com as brumas do evangelho sem vivência real, sem a pratica, mostrando apenas a teoria.Trazem a fala vazia e parecem apenas rádios a transmitirem a mensagem do Cristo e da Doutrina Espírita, sem dela nada retendo para si mesmo.
Entretanto, ainda assim, confeccionam, com maestria e talento, diferentes máscaras, uma para cada situação, uma para cada pessoa.

Apenas para exemplificar, encontraremos em todas as religiões e nos centros espíritas: tiranos domésticos e aplicados trabalhadores da fé; infiéis nas relações e pregadores da moral e bons costumes; fofoqueiros e maledicentes e atenciosos e prestativos nas igrejas e casas espíritas; chefes enlouquecidos e vaidosos e humildes e servis nos palanques doutrinários, impacientes na vida e no reduto religioso calmos e mansos.

É claro que a máscara da calmaria e da mansidão nem sempre são mantidas em todos os momentos dentro das cúpulas do poder temporal, até mesmo na própria casa espírita, principalmente quando se trata de defenderem seus espaços de poder, de liderança, ou como preferem dizer, "seus cargos de diretoria". "Muitas vezes sem os encargos das tarefas, apenas com os "nomes" e as medalhas no peito, "eu sou"!

Nestas ocasiões as chagas da humanidade são bem representadas: orgulho total, vaidade sem medida e egoísmo desmesurado. Nestes momentos as peles de ovelhas caem e os lobos, famintos de poder e status, se lançam uns contra os outros.

Logo depois de entrar em combate, elavam o olhar aos céus e oram a Deus dizendo no final uma citação fatídica para o momento "Que assim seja".
Há tantos para mandar e poucos para servir, e todos que pensam e agem assim estão doentes e ainda não sabem e acabam por adoecer a instituição.

Não pode ser assim! "Que não seja assim"!

Nós, os lobos, precisamos buscar a melhora, modificar e compreender a oportunidade que nos é ofertada. Chegou à oportunidade de nos transformarmos domesticando o lobo que ruge em nós. As disputas por cargos, por diretorias, por quem sabe mais, quem faz mais, quem fundou a casa, quem lava, quem paga, tudo isso, cai no mesmo lugar.
Para os lobos espíritas o que interessa é quem manda e quem chegou primeiro, é a defesa do território, porque sem esse território "eu não sou ninguém, o centro é meu, ninguém tasca que eu vi primeiro".

Usamos a mascara da falsa humildade com sorrisos falsos, abraços sem calor e apertos de mão sem sentimentos. O que queremos é devorar, acabar com o outro, quando na verdade ele é como nós. Ele nos reflete, mas não queremos ver.

No julgamento que fazemos dos outros não enxergamos que só vemos neles o que somos, os lobos em pele de cordeiro. Como não temos coragem para enfrentar a nossa "fera" interna, desejamos destruir a outra, o outro, seus projetos, suas idéias, seus sonhos, sua vida.

Julgamo-nos católicos, protestantes e espíritas cristãos, mas não nos damos conta que ainda não conhecemos ao Cristo Jesus.

Somos doutores da lei e falsos profetas, e a afirmativa do Rabi da Galilea é mais atual que se pode pensar. Não é por acaso, que somos considerados os trabalhadores da última hora.

Aqueles que ficaram se espreguiçando na esteira do tempo, vendo a banda passar, esperando que a evolução chegue de fora, e de um minuto para o outro, "zaz", que fiquemos perfeitos, têm que compreender que infelizmente não é assim.

É necessário esforço e vontade, a evolução não vai dar saltos ou parar na esquina do tempo para nos esperar.

O seu momento é agora! O meu momento é agora!

Somos os últimos a aceitar a tarefa e viemos carregados de preconceitos, quase vergados sob o peso das latas de lixo que carregamos encarnação após encarnação.

Chega! É preciso vivenciar o espiritismo tão decantado e falado nas relações do dia a dia, em casa, principalmente "em casa".

Devemos usar de autenticidade, realidade e verdade nas relações do centro espírita, pois um centro espírita não é feito de paredes, de muitas salas, de grandes monumentos religiosos, mas é feito de pessoas, de convivência e de amor.
O nosso amor está em evolução e não somos perfeitos, mas, somos capazes de adquirir a perfeição, é só começar. Agora! Já!
Para tanto devemos usar de quatro ferramentas muito importantes:

• O bom senso para poder compreender qual de nós esta mais doente no momento e saber diferenciar os estados evolutivos, onde poderemos encontrar homens velhos agindo como crianças birrentas.

• O senso autocrítico para que possamos reconhecer nossas falhas e buscar pela melhora sem a autopiedade e o desculpismo reinante.

• O senso critico para que possamos avaliar as ações e projetos e não quem os conduz, aprendendo a eleger o melhor para todos e não mais o "meu" o "seu", e hora do nosso, dos nossos e para todos.

• E o senso de humor, pois sem ele, poderemos ser devorados pelos lobos da nova revelação que se encontram gentilmente prostrados nos cargos vitalícios ora considerados como "supra-sumos" doutrinários, onde ninguém é melhor para o "seu" lugar.

Parafraseando um texto que recebi pela internet, intitulado " A batalha dos lobos", onde um velho índio conversa com seu neto a respeito da grande batalha íntima que travamos entre o nosso lado bom e o lado mau, entre a sombra e a luz, o velho índio começa assim:

- A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau: é a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego.
O outro é Bom: é alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: - "Qual é o lobo que vence? "
O velho índio respondeu: - "Aquele que você alimenta!"

Que possamos não mais servir de alimento energético e ração para a alcatéia de lobos religiosos e sem religiosidade, dos lobos espíritas, famintos de poder. Falso e volátil, pois, não sabendo de nada, já aprendemos que tudo passa, tudo de bom e de ruim e o que fica de verdade é o que realmente eu sou, nos somos, eu faço, nos fazemos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Compromisso Espírita.


                   COMPROMISSO ESPÍRITA
   Eu vos saúdo em nome de Nosso Senhor Jesus - Cristo !
 
Todos vós, obreiros da Era Nova, não vos equivoqueis ! Chegado é o momento
da definição resoluta e terminante, no que tange a responsabilidades íntimas e
intransferíveis no campo do Senhor da Vida Total.
Aquinhoados, abundantemente, com a comunicação do Mundo Espiritual, sabeis
que o túmulo é porta de reingresso na vida, quanto o berço é clausura na jornada
da carne para refazer e para edificar.
Convocados ao ministério sublime da mediunidade socorrista, recebestes a semente
de luz para a plantação no solo do futuro, com vistas à Humanidade melhor do amanhã.
Se o óbice tenta obstacular-vos o avanço, não desanimeis; se o empeço arma difíceis
sedições pelo caminho, em forma de revolta íntima ou de revolta alheia, prossegui
intimoratos; se a impiedade zurze a chibata da incompreensão e semeia a vossos pés
o cardo, a urze e o pedregulho, não desanimeis; se vos ferirem, bendizei a oportunidade
de resgatar, considerando que poderíeis ser os criminosos que provocam dores; se a noite
de sombras espessas ameaçar o santuário da vossa fé, colocando cúmulos que dificultem
o discernimento nas telas da vossa mente, acendei a lâmpada clarificadora da prece para, 
que a luz da compaixão e da misericórdia vos aponte rumos de segurança !
Em qualquer circunstância, amai ! Em qualquer situação, servi ! Em todo momento, crede !
O Senhor da Vida não nos abandona hora alguma e a sua misericórdia não nos deixa
nunca, fazendo que entesouremos, nos depósitos sublimes da alma, as moedas 
luminescentes da felicidade total.
Dobrai-vos sobre as necessidades redentoras, marchai enxugando lágrimas com as mãos
suadas e envolvendo o coração na "lã do Cordeiro de Deus", confiai em que a senda
pavimentada com as pedras da humildade legítima vos conduzirá ao oásis refazente da paz,
em que a linfa cristalina e nobre do Evangelho estará cantando a melodia do reconforto
para vossas almas.
Exorando a Ele, o Excelso Benfeitor de todos nós, que nos abençoe e conduza, suplicamos
que nos não deixe nunca a sós, na obra com que nos dignifica a oportunidade e nos enseja
a ocasião de redenção interior !

 
(Obra: Depoimentos Vivos - Divaldo P.Franco/Eurípedes Barsanulfo)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Aprendendo a Perdoar


Aprendendo a perdoar

       “Se perdoardes aos homens as faltas que eles fazem contra vós, vosso Pai celestial vos perdoará também vossos pecados, mas se não perdoardes aos homens quando eles vos ofendem, vosso Pai, também, não vos perdoará os pecados.”
(Capítulo 10, item 2.)

       Nosso conceito de perdão tanto pode facilitar quanto limi­tar nossa capacidade de perdoar.
       Por possuirmos crenças negativas de que perdoar é “ser apático” com os erros alheios, ou mesmo, é aceitar de forma passiva tudo o que os outros nos fazem, é que supomos estar perdoando quando aceitamos agressões, abusos, manipulações e desrespeito aos nossos direitos e limites pessoais, como se nada tivesse acontecendo.
       Perdoar não é apoiar comportamentos que nos tragam dores físicas ou morais, não é fingir que tudo corre muito bem quando sabemos que tudo em nossa volta está em ruínas. Perdoar não é“ser conivente” com as condutas inadequadas de parentes e ami­gos, mas ter compaixão, ou seja, entendimento maior através do amor incondicional. Portanto, é um “modo de viver
       O ser humano, muitas vezes, confunde o “ato de perdoar” com a negação dos próprios sentimentos, emoções e anseios, repri­mindo mágoas e usando supostamente o “perdão” como desculpa para fugir da realidade que, se assumida, poderia como conseqüência alterar toda uma vida de relacionamento.
       Uma das ferramentas básicas para alcançarmos o perdão real é manter-nos a uma certa “distância psíquica” da pessoa-­problema, ou das discussões, bem como dos diálogos mentais que giram de modo constante no nosso psiquismo, porque esta­mos engajados emocionalmente nesses envolvimentos neuróticos.
Ao desprendermo-nos mentalmente, passamos a usar de modo construtivo os poderes do nosso pensamento, evitando os “deveria ter falado ou agido” e eliminando de nossa produção imaginativa os acontecimentos infelizes e destrutivos que ocorreram conosco.
Em muitas ocasiões, elaboramos interpretações exagera­das de suscetibilidade e caímos em impulsos estranhos e desequili­brados, que causam em nossa energia mental uma sobrecarga, fazendo com que o cansaço tome conta do cérebro. A exaustão ínti­ma é profunda.
A mente recheada de idéias desconexas dificulta o per­dão, e somente desligando-nos da agressão ou do desrespeito ocorrido é que o pensamento sintoniza com as faixas da clareza e da nitidez, no processo denominado “renovação da atmosfera mental”.
É fator imprescindível, ao “separar-nos” emocionalmente de acontecimentos e de criaturas em desequilíbrio, a terapia da prece, como forma de resgatar a harmonização de nosso “halo mental”. Método sempre eficaz, restaura-nos os sentimentos de paz e serenidade, propiciando-nos maior facilidade de harmoni­zação interior.
A qualidade do pensamento determina a “ideação” cons­trutiva ou negativa, isto é, somos arquitetos de verdadeiros “qua­dros mentais” que circulam sistematicamente em nossa própria ór­bita áurica. Por nossa capacidade de “gerar imagens” ser fenome­nal, é que essas mesmas criações nos fazem ficar presos em “mono-idéias”. Desejaríamos tanto esquecer, mas somos forçados a lembrar, repetidas vezes, pelo fenômeno “produção-conseqüência”.
Desligar-se ou desconectar-se não é um processo que nos torna insensíveis e frios, como criaturas totalmente imper­meáveis às ofensas e críticas e que vivem sempre numa atmos­fera do tipo “ninguém mais vai me atingir ou machucar”. Des­ligar-se quer dizer deixar de alimentar-se das emoções alheias, desvinculando-se mentalmente dessas relações doentias de hip­noses magnéticas, de alucinações íntimas, de represálias, de desforras de qualquer matiz ou de problemas que não pode­mos solucionar no momento.
Ao soltar-nos vibracionalmente desses contextos com­plexos, ao desatar-nos desses fluidos que nos amarram a essas crises e conflitos existenciais, poderemos ter a grande chance de enxergar novas formas de resolver dificuldades com uma visão mais generalizada das coisas e de encontrar, cada vez mais, instrumentos adequados para desenvolvermos a nobre tarefa de nos compreen­der e de compreender os outros.
Quando acreditamos que cada ser humano é capaz de resolver seus dramas e é responsável pelos seus feitos na vida, aceitamos fazer esse “distanciamento” mais facilmente, permitindo que ele seja e se comporte como queira, dando-nos também essa mesma liberdade.
Viver impondo certa “distância psicológica” às pessoas e às coisas problemáticas, seja entes queridos difíceis, seja com­panheiros complicados, não significa que deixaremos de nos importar com eles, ou de amá-los ou de perdoar-lhes, mas sim que viveremos sem enlouquecer pela ânsia de tudo compreender, padecer, suportar e admitir.
Além do que, desligamento nos motiva ao perdão com maior facilidade, pelo grau de libertação mental, que nos induz a viver sintonizados em nossa própria vida e na plena afirmação positiva de que “tudo deverá tomar o curso certo, se minha mente estiver em serenidade”.
Compreendendo por fim que, ao promovermos “desco­nexão psicológica”, teremos sempre mais habilidade e dispo­nibilidade para perceber o processo que há por trás dos compor­tamentos agressivos, o que nos permitirá não reagir da maneira como o fazíamos, mas olhar “como é e como está sendo feito” nosso modo de nos relacionar com os outros. Isso nos leva, con­seqüentemente, a começar a entender a “dinâmica do perdão”.
Uma das mais eficientes técnicas de perdoar é retomar o vital contato com nós mesmos, desligando-nos de toda e qualquer “intrusão mental”, para logo em seguida buscar uma real empatia com as pessoas. Deixamos de ser vítimas de forças fora de nosso controle para transformar-nos em pessoas que criam sua própria realidade de vida, baseadas não nas críticas e ofensas do mundo, mas na sua percepção da verdade e na vontade própria.

Renovando Atitudes
Hammed / Francisco do Espirito Santo

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

SE SOUBESSES...


                                   SE SOUBESSES...

        Se soubesses quão venenoso é o conteúdo de fel a tisnar o cálice da aversão, decerto compreenderias que todo golpe de crueldade não é senão desafio à tua capacidade de entendimento.
        Se soubesses a trama de sombra que freme, perturbadora, em torno da palavra infeliz que proferes, na crítica à luta alheia, preferirias amargar no silêncio as feridas de tua mágoa, esperando que o tempo lhes ofereça a necessária medicação.
        Se soubesses a quantidade dos crimes, oriundos da revolta e da queixa, escolherias padecer toda sorte de sofrimento antes que reclamar consideração e justiça em teu próprio favor.
        Se soubesses a multidão de males que  a vingança provoca, esquecerias sem custo os braseiros de dor que a calúnia te arremessa à existência.
        Lembra-te de que o ódio é o grande fornecedor das prisões e de que a cólera é responsável pela maior parte das moléstias que infelicitam a vida e guarda o coração na grande serenidade, se te propões conservar em ti mesmo o tesouro da paz e a bênção da segurança.
        Ainda mesmo que alguém te ameace com o gládio da morte, desculpa e segue adiante, porque as vítimas ajustadas aos marcos do Bem Eterno elevam-se de nível, enquanto que os ofensores, ainda mesmo os aparentemente mais dignos, descem aos precipícios do tempo para o acerto reparador.
        De qualquer modo, se a aflição te procura, cala e perdoa sempre, porque se o Mestre nos exortou ao amor pelos inimigos, também nos advertiu que a mão erguida à delinquência da espada, agora, hoje ou amanhã, na espada fenecerá.

(“Alma e Luz”, Francisco Cândido Xavier, Emmanuel)