segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Dirigente e os Limites das Funções


O Dirigente e os Limites das Funções

Sérgio Biagi Gregório
Tese: limitar-se à função é um dos grandes problemas do Centro Espírita.
No Centro Espírita, o trabalho é voluntário; cada um dos seus colaboradores doa tempo, força e recursos pessoais para a realização do bem comum. Muitos deles participam da Diretoria Executiva ou dos diversos departamentos constitutivos. Ao fazerem parte de um corpo diretivo, deveriam cumprir as diretrizes estabelecidas no estatuto da Entidade.
Não é bem assim que funciona: uns pecam pelo excesso; outros, pela falta. O meio termo é um caminho difícil. Extrapolando os limites da função, uns passam por cima dos outros. Não percebem o mal que causam à organização, pois aquele que se sentiu ferido pode perder o entusiasmo, boicotar eventos, falar mal da Entidade e criar um clima de animosidade entre todos os frequentadores.
O colaborador pode estar agindo com as melhores intenções, trabalhando cada vez mais, até no sentido de arrecadar fundos para as obras assistenciais. Não percebe, porém, que aquele trabalho pertence a um outro departamento, a uma outra direção. Pronto. Está formada a confusão, o "diz que me diz", a desarmonia. Os Espíritos obsessores, por seu turno, não perdem tempo. Eles aproveitam os desequilíbrios dos colaboradores e incentivam ainda mais os ressentimentos, os melindres e a maledicência.
Ao detectar este problema, o dirigente pode pensar: é melhor deixar como está para ver como fica. Se assim fizer não estará exercendo a sua função, que é organizar, planejar, delegar tarefas e cobrar resultados. A sua tarefa é manter a harmonia entre todos os departamentos, para que a organização aprenda com seus erros. Lembremo-nos de que um erro não corrigido passa por uma verdade. Depois, a correção fica mais difícil.
Os Espíritos superiores têm muito interesse no bom funcionamento dos Centros Espíritas, pois é por meio deles que o Espiritismo é disseminado no mundo todo. Quanto mais cuidado tiverem, mais produtiva será a divulgação doutrinária. O dirigente espírita deve se colocar como um intermediário desses Espíritos de luz. Se assim fizer receberá as inspirações necessárias para bem conduzir o seu grupo de trabalho.
O Espírito Emmanuel, em Emmanuel, diz-nos que "Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso". Em vista disso, o dirigente deve ter em mente que os frequentadores de uma Casa Espírita, na sua grande maioria, precisam de muita compaixão.
O dirigente deve se lembrar da frase: "Lavar a escada de cima para baixo". Ou seja, o exemplo deve vir de cima. Na qualidade de dirigente, ele deve ser o primeiro a dar o exemplo. Como pregar a caridade se não é caridoso para com os seus colaboradores? Não é uma contradição? Prega uma coisa e pratica outra? Desapegar-se da função, da sala e do amor próprio é um bom exercício.
O bom dirigente deve administrar o egoísmo e o apego, colocando-se à disposição dos interesses dos outros, sem exigir qualquer tipo de reconhecimento.

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