terça-feira, 11 de setembro de 2012

EXPERIÊNCIAS DE QUASSE MORTE


EXPERIÊNCIAS DE QUASSE MORTE
Fábio José Lourenço Bezerra

Um dos fenômenos de maior importância, para provar que nossa consciência independe do cérebro, chama-se Bilocaçãoou Desdobramento Espiritual.
Ocorre quando o corpo espiritual, ou duplo etérico, afasta-se do corpo físico, ganhando, às vezes, enormes distâncias deste.
Nossa consciência viaja junto com esse nosso ”fantasma”, que consegue, muitas vezes, perceber tudo ao seu redor, seja no plano físico, seja no plano espiritual. Contudo, mantém, com o corpo físico ainda vivo, uma delicada ligação, o chamado “cordão de prata”, espécie de fio fluídico que se distende, indefinidamente, com o deslocamento do corpo espiritual.
O grande teor de prova, dessas ocorrências, surge quando o nosso “fantasma” testemunha eventos, e observa objetos e lugares, impossíveis de serem percebidos pelo corpo físico, e que são lembrados posteriormente, quando do retorno ao estado normal. Dessa forma, foram confirmados muitos detalhes percebidos durante as ocorrências.
Em alguns casos, o espírito desdobrado pôde ser percebido por médiuns videntes presentes no local. Em outros, foi percebido por todos os presentes, médiuns ou não, quando o “fantasma de pessoa viva” adquiriu consistência sólida (materialização).
O fenômeno geralmente é provocado, em algumas pessoas, quando ocorre uma diminuição das forças vitais do organismo, como: sono ordinário, hipnótico, mediúnico, êxtase, desmaio, efeitos narcóticos, coma, doenças, etc.
Respondendo a perguntas, em “O Livros dos Espíritos”, e também em “O Livro dos Médiuns”, os Espíritos Superiores encarregados da codificação do Espiritismo revelaram que o ser humano é constituído por três partes: EspíritoPerispíritoCorpo Físico.
Espírito é a consciência propriamente dita, fonte da inteligência, dos pensamentos, emoções, enfim, da mente humana.
Perispírito (termo cunhado por Allan Kardec, que significa Envoltório do Espírito), é o que podemos chamar de Corpo Espiritual.. Formado por matéria sutil, ainda não percebida pelos instrumentos de observação desenvolvidos pela nossa atual tecnologia, nem pelos nossos 5 sentidos normais, porém espalhada por todo o espaço universal, em torno dos planetas, ao nosso redor. Os Espíritos chamaram esta matéria de “Fluido Cósmico Universal”.
O Perispírito é o laço que une o Espírito ao Corpo Físico, transmitindo as impressões, os estímulos captados do mundo material pelo Corpo Físico ao Espírito, e também os comandos do Espírito ao Corpo Físico. É a causa de todos os fenômenos mediúnicos, e pode ser moldado com a forma que o Espírito queira, através do pensamento, habilidade esta que desenvolve proporcionalmente à sua evolução espiritual. Em geral, os espíritos apresentam-se com o seu Perispírito na forma do Corpo Físico de sua última encarnação..
Corpo Físico é o que podemos chamar de o nosso corpo de “carne-e-osso”. Verdadeiro material didático do Espírito, limita suas percepções aos 5 sentidos normais, liberando, contudo, a intuição, permitindo que sejamos sugestionados pelos Espíritos, em nossos pensamentos, de forma secreta. A exceção dessa regra é o médium, que pode (conforme o tipo, ou tipos, de mediunidade que possua) receber várias impressões do plano espiritual. É nesse corpo, frágil e perecível, que aprendemos muitas lições, em nossas várias existências, necessárias à nossa evolução espiritual. É também onde pomos em prática as ideias adquiridas no mundo dos Espíritos, seja durante o sono, seja no intervalo entre as encarnações, intervalo esse chamado de erraticidade.
Os Espíritos também disseram a Kardec, nas obras supracitadas, que quando enfraquecido o corpo, por doenças ou outras causas, afrouxam-se os laços que prendem o Espírito ao corpo, e, assim podem entrar mais facilmente em contato com o mundo espiritual, comunicar-se com os Espíritos desencarnados, e afastar-se do corpo físico.
O fenômeno de desdobramento espiritual é tão antigo quanto a humanidade, e se fez presente em todas as culturas, inclusive entre os povos selvagens. Constam, sobre ele, e sobre o corpo espiritual, vários registros através da história. São exemplos:
Os egípcios distinguiam 3 elementos no homem: 1º, o corpo; 2º, o “Kou” luminoso ou Espírito; 3º, o “Ska”, o duplo, intermediário entre o Espírito e o corpo, dito também “Srit”, sombra, e considerado matéria sutil que cobria e reproduzia o corpo físico;
O duplo etérico é demonstrado por Homero, em Odisséia;
Em A República, de Platão, um soldado, Er, é ferido quase fatalmente em batalha, sendo ressuscitado na cerimônia do funeral. Depois descreve uma viagem da escuridão à luz, sendo acompanhado por guias, passa por um julgamento, sentimentos de paz e alegria, visões de belezas extraordinárias e felicidade absoluta;
Para os Hebreus, conforme a Cabala, a alma é chamada “Nefes”; o corpo espiritual é chamado “Ruach”; e o Espírito, mais refinado, “Neshamâch”. O “Ruach” é o intermediário entre o Espírito e o corpo;
Na Índia Védica, o duplo etérico é chamado de “Mano-Maya-Kosha”;
Na tradição Chinesa, chama-se “Khi”;
Orígenes, um dos pais da Igreja, dizia que as almas, ao saírem de um corpo, se revestem de outro, sutil, com a mesma forma daquele que abandonam;
Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo, por aparecer em dois lugares, distantes um do outro, ao mesmo tempo, o que foi considerado milagre;
Santo Antônio de Pádua pregava na Itália, e, de repente, ao mesmo tempo, apareceu em Lisboa, para salvar o pai da pena de morte, pois o mesmo foi condenado injustamente. Santo Antônio, então, demonstrou sua inocência. Este fato foi testemunhado por várias pessoas na época.
Em “O Livro dos Médiuns”, Kardec pede aos Espíritos explicação para os dois últimos casos acima citados. Os Espíritos responderam que, quando atingiram um elevado nível de evolução espiritual, de completa desmaterialização, o Espírito encarnado pode, quando lhe vem o sono, pedir a Deus para transportar-se a um determinado lugar. O corpo espiritual, então, desloca-se até este lugar, deixando no corpo parte do seu Perispírito. Pode, inclusive, materializar-se no local até onde foi transportado.
O filósofo italiano Ernesto Bozzano possuía em seus arquivos cerca de 150 casos de desdobramento espiritual. Baseado neles, ele escreveu o livro “Fenômenos de bilocação”, onde faz uma análise comparada de vários casos, em suas diversas fases. É deste livro que extraímos o seguinte caso, no qual a autora do relato é a noiva de um tenente do exercito alemão que respirou gás carbônico, tendo começo de asfixia, no ano de 1908: “a pessoa de quem sou noiva era oficial e deixou o serviço militar há pouco tempo. Pouco antes de enviar o seu pedido de demissão, aconteceu-lhe, certa noite, ir para a cama e, alguns momentos após, achar-se de pé no meio do quarto, ocupado a examinar o seu próprio corpo estendido debaixo dos cobertores. Tal situação pareceu bastante fantástica ao tenente, tanto mais que nunca ouvira falar de semelhantes fatos. Com o fim de pôr a prova sua própria mente, pôs-se a andar pelo quarto, observar os móveis e outros objetos, foi a sua secretaria e começou a ler um livro que se achava aberto sobre ela, mas, quando quis virar a página, não o conseguiu, apesar de tentá-lo por diversas vezes. Foi, em seguida, à janela, olhou a rua e observou as chamas tremulas dos bicos de gás. Em suma, pode-se convencer de que percebia todas as coisas de modo normal.
De repente ocorreu-lhe a idéia de que talvez se achasse na condição de um “espírito desencarnado”. Quis, pois, verificar se lhe era possível passar através da parede. Tentou, e imediatamente, se achou na sala vizinha, onde viu um companheiro seu sentado à mesa, ocupado a desenhar. Fez todo o possível para chamar-lhe a atenção: tocou-o, falou-lhe, soprou-lhe no rosto, mas tudo foi inútil porque ele continuou tranqüilo a desenhar, inconsciente da sua presença. Assaltou-o desânimo e voltou para o seu quarto, onde tornou a ver o seu corpo, estendido, inerte no leito.
Pensou, pois, sair ao ar livre e, passando através da porta fechada, dirigiu-se para a estação ferroviária, onde observou a multidão de viajantes e o movimento dos trens. Percebendo, ao longe, um túnel, dirigiu-se para o mesmo, lá penetrou e observou diversos operários que ali trabalhavam. Era um túnel em que jamais havia penetrado e cuja existência ignorava.
Voltando ao quarto, viu o criado abrir a porta, entrar, sondar o ar, precipitar-se para o leito, sacudir vivamente o corpo de seu patrão, assistindo ele a tudo, ao seu lado, em Espírito. Em seguida, o criado apressou-se a abrir a janela do quarto e uma súbita torrente de ar fresco despertou o tenente, que logo lhe perguntou o que havia ocorrido e pelo mesmo soube que o ar estava saturado de gás carbônico e que por um instante fora considerado morto. Então o tenente lhe perguntou como tivera a idéia de ir naquele momento ao seu quarto, e o criado lhe disse que experimentara a necessidade súbita e irresistível de ir imediatamente regular a tiragem da pequena chaminé. O fato é que, se o criado não houvesse acorrido, o oficial estaria morto e o seu espírito não teria podido reintegrar o seu corpo.
No dia seguinte, foi ele ao túnel que visitara como espírito e lá reconheceu todas as coisas que havia visto. Do mesmo modo interrogou o locatário vizinho e soube que ele estivera ocupado, naquela hora, no mesmo desenho que pôde ver.
Tais são os fatos. Pois bem, apesar da natureza deles, meu noivo ainda não acredita na sobrevivência da personalidade consciente depois da morte do corpo”.
Em 1975, o médico americano e palestrante universitário aposentado em filosofia, Raymond Moody Jr., chamou a atenção da comunidade científica com a publicação do seu livro Life After Life (no Brasil, foi publicado com o título Vida Depois da Vida, pela editora Nórdica), baseado no depoimento de 150 sobreviventes da ”quase-morte”.
Ele classificou os casos relatados em 3 categorias:
1)Experiências de pessoas que foram ressuscitadas depois de terem sido julgadas, consideradas ou declaradas mortas pelos seus médicos;
2)Experiências de pessoas que, no decorrer de acidentes ou doenças ou ferimentos graves, estiveram muito próximas da morte física;
3)Experiências de pessoas que, enquanto morriam, contaram-nas a outras pessoas que estavam presentes. Mais tarde, essas outras pessoas relataram ao Dr.Moody o conteúdo das experiências de morte.
O Dr.Moody cunhou o nome de “Experiências de Quase-Morte” para esses casos. Devido à grande semelhança nos vários relatos, o Dr. Moody, em seu livro, construiu o que seria um “caso ideal”, contendo todos os detalhes que, tipicamente, estão presentes nessas experiências, embora nenhuma das experiências apresentem todos esses detalhes, mas alguns ou a maioria deles.
“Um homem está morrendo e, quando chega ao ponto de maior aflição física, ouve seu médico declará-lo morto. Começa a ouvir um ruído desagradável, um zumbido alto ou toque de campainhas, e ao mesmo tempo se sente movendo muito rapidamente através de um túnel longo e escuro. Depois disso, repentinamente se encontra fora do seu corpo físico, mas ainda na vizinhança imediata do ambiente físico, e vê seu próprio corpo a distância, como se fosse um espectador. Assiste às tentativas de ressurreição desse ponto de vista inusitado em um estado de perturbação emocional.
Depois de algum tempo, acalma-se e vai se acostumando à sua estranha condição. Observa que ainda tem um “corpo”, mas um corpo de natureza muito diferente e com capacidades muito diferentes das do corpo físico que deixou para trás. Logo outras coisas começam a acontecer. Outros vêm ao seu encontro e o ajudam. Vê de relance os espíritos de parentes e amigos que já morreram e aparece diante dele um caloroso espírito de uma espécie que nunca encontrou antes – um espírito de luz. Este ser pede-lhe, sem usar palavras, que reexamine sua vida, e o ajuda mostrando uma recapitulação panorâmica e instantânea dos principais acontecimentos de sua vida. Em algum ponto encontra-se chegando perto de uma espécie de barreira ou fronteira, representando aparentemente o limite entre a vida terrena e a vida seguinte. No entanto, descobre que precisa voltar para a Terra, que o momento da sua morte ainda não chegou. A essa altura oferece resistência, pois está agora tomado pelas suas experiências no após-vida e não quer voltar. Está agora inundado de sentimentos de alegria, amor e paz. Apesar dessa atitude, porém, de algum modo se reúne ao seu corpo físico e vive.
Mais tarde tenta contar o acontecido a outras pessoas, mas tem dificuldade em fazê-lo. Em primeiro lugar, não consegue encontrar palavras humanas adequadas para descrever esses episódios não-terrenos. Descobre também que os outros caçoam dele, e então deixa de dizer essas coisas. Ainda assim, a experiência afeta profundamente sua vida, especialmente suas opiniões sobre a morte e as relações dela com a vida”.
O Dr. Mervin Morse, Pediatra americano, observou várias crianças gravemente doentes, internadas em centros médicos e salas de emergência. Constatou que algumas delas relataram experiências com a morte. Os detalhes – separar-se do corpo, ter um flashback com acontecimentos de sua própria vida, sentir-se em paz, a presença de uma luz branca e seres luminosos– estavam presentes, porém relatados, naturalmente, em linguagem infantil. A faixa etária das crianças foi de 3 a 9 anos.
Uma garotinha de 5 anos relatou: ”eu subi no ar e vi um homem igual a Jesus, porque ele era bonzinho e estava conversando comigo. Eu vi gente morta, vovós e vovôs, e bebês esperando o nascimento. Vi uma luz e um arco-íris que me disse quem eu era e onde eu deveria ir. Jesus me disse que não era minha hora de morrer”.
O Dr. Pin Van Lommel, cardiologista da Holanda, acompanhou 344 sobreviventes de paradas cardíacas de 10 hospitais, durante 2 anos, e 41 deles, correspondendo a 12% do total, haviam relatado uma EQM. Descobriu-se que os pacientes, acompanhados por 8 anos, mudaram bastante. Ficaram mais próximos da família, mais compreensivos com os outros, com menos temor da morte e mais interessados em desenvolver-se espiritualmente. Esta mudança é muitíssimo comum em quem passou por uma EQM, como estudos posteriores confirmariam.
Dos 41 que passaram pela EQM, na pesquisa do Dr. Van Lommel, 24% deles tiveram uma experiência fora do corpo. Conforme o relato da enfermeira, em um desses casos, ela retirou a dentadura de um paciente no momento em que ele sofreu uma parada cardíaca, colocando-a em uma gaveta de um carrinho especial.. Os médicos e enfermeiras tinham começado o processo de ressuscitação, que durou 1 hora e meia. Em seguida, o paciente foi transferido para a UTI. Após uma semana, o paciente retornou à mesma enfermaria em que ela tinha trabalhado. Então ele disse: “Oh, essa enfermeira sabe onde está minha dentadura”, aí, ele se dirigiu a ela: “Sim, você estava lá quando eu fui levado ao hospital, e você tirou minha dentadura da boca e a colocou em um carrinho (querendo dizer o carrinho hospitalar). Havia esse monte de garrafas em cima, e uma gaveta que deslizava por baixo, que foi onde você colocou os meus dentes”.
A enfermeira teria relatado:
“Eu fiquei realmente chocada, porque me lembro do acontecido enquanto este homem estava num coma profundo, e em processo de CPR (Ressuscitação Cardio-Pulmonar). Quando perguntei mais tarde, parece que ele tinha se visto deitado na cama e observado de cima como os médicos e as enfermeiras trabalhavam. Ele também foi capaz de descrever corretamente e com detalhes a pequena sala cirúrgica na qual estava sendo ressuscitado, assim como a aparência de todos os presentes... na época... ele tinha estado com muito medo de que nós tivéssemos que parar com a CPR, e de assim morrer. E é verdade que a equipe tinha ficado bastante pessimista a respeito de seu prognóstico, devido à condição muito precária na qual ele fora admitido.”
É bastante comum as pessoas que passaram por EQM relatarem ter visto, do teto, os procedimentos realizados pelos médicos e as enfermeiras, mesmo estando o coração parado durante algum tempo, e estes não raro ficam perplexos com os relatos detalhados que os pacientes lhes fazem.
Outro estudo foi feito pelo pesquisador americano Bruce Greyson. Ele acompanhou 1595 pessoas que deram entrada no hospital com problemas cardíacos, por 30 meses. Dessas pessoas, 110 sofreram uma parada cardíaca, e 10% delas, uma EQM.
Um quarto estudo foi feito por Janet Schwaninger, uma enfermeira cardíaca dos EUA. Neste estudo, 23% dos sobreviventes de ataque cardíaco tiveram uma EQM, e seis meses após, mostraram uma transformação muito positiva em si mesmas.
Após todos estes estudos, a grande maioria dos cientistas passaram a acreditar que, de fato, as EQMs aconteciam. Apareceram, então, 3 tipos de explicações:
a)TEORIAS CEREBRAIS (ALUCINAÇÕES)
Possíveis causas:
- falta de oxigênio;
- excesso de gás carbônico;
- drogas aplicadas no paciente;
- o papel dos receptores químicos do cérebro;
- epilepsia de lóbulo temporário.
b) TEORIAS PSICOLÓGICAS
- Dissociação : retração para proteger o indivíduo de um acontecimento
estressante;
- Forma de aliviar o trauma do nascimento.
Em todas as teorias acima, supõe-se que o indivíduo tenha visto os procedimentos dos médicos e enfermeiras, bem como os detalhes de onde estava, antes ou depois de seu coração e o cérebro pararem, tendo criado fantasias a partir do que lembravam, isto é, tiravam de sua cultura e de sua religião os detalhes de sua experiência.
c)TEORIAS TRANSCENDENTAIS
- Experiência espiritual: a consciência seria independente do cérebro.
O Dr. Sam Parnia, um dos maiores especialistas do mundo no estudo científico da morte, do estado da mente humana, do cérebro e das experiências de quase-morte, hoje divide seu tempo entre os hospitais do Reino Unido e a Cornell University, em Nova York, onde é membro da Unidade de Cuidado Cardiopulmonar. Ele também tem uma posição de honra na Senior Clinical Research Fellow na Universidade de Southampton no Reino Unido, onde dirige o Grupo de Pesquisa da Consciência.
Ele achou supreendente como em diferentes culturas, idades e épocas, pessoas que estiveram bem perto da morte puderam relatar uma quantidade tão grande de experiências tão coesas entre si .
No seu livro what happens when die (no Brasil, com o título: “o que acontece quando morremos “, pela editora Larousse), ele mostra os estudos realizados até o momento sobre EQM. Verificou que vários cientistas (a maioria) procurou dar explicações aos fatos sem antes haver um estudo científico sobre os mesmos. Não foram, até então, monitorados os níveis de oxigênio, gás carbônico, drogas aplicadas nos pacientes, e nem se observou os sinais vitais do paciente (batimentos cardíacos, ondas cerebrais, etc), relacionando-os com o que era relatado pelo paciente depois dos acontecimentos. Apenas cada cientista havia dado uma explicação baseado apenas em sua opção filosófica (em sua maioria, materialista).
A falta de estudos que testassem as hipóteses supracitadas, para o Dr.Parnia, se devem provavelmente às naturais dificuldades que advém de um estudo dessa natureza, e também, em grande parte, ao enorme preconceito ainda existente, na comunidade científica, sobre este tema.
O Dr. Parnia, vislumbrando as implicações que teriam um estudo como esse, que procura desvendar a natureza da consciência (ela dependeria ou não do cérebro?), para a ética, a teologia, a filosofia e para o cuidado médico ( uma vez que aqueles que passaram por uma EQM sofreram transformações bastantes positivas em suas vidas, Isso poderia vislumbrar o tratamento de várias doenças, inclusive a depressão), ele resolveu empreender seu próprio estudo.
O estudo-piloto foi feito no hospital Southampton, na Grã-Bretanha, com 63 pacientes que sofreram parada cardíaca, pelo período de 1 ano, nas unidades de emergência e de cuidados especiais. Ele monitorou os níveis de oxigênio, gás carbônico, sódio, potássio no cérebro, bem como drogas administradas durante a parada cardíaca. Também foram monitorados os batimentos cardíacos e a atividade elétrica do cérebro durante os procedimentos de ressuscitação. Também foram colocadas figuras no teto, que só poderiam ser vistas se o paciente pudesse “flutuar” acima de seu corpo, para testar se eram verdadeiros os relatos deste tipo, ou meras fantasias.
Os resultados do estudo foram os seguintes:
·Os pacientes foram divididos em 2 grupos: aqueles que tiveram uma EQM e os que não tiveram.
·Cerca de 10% dos pacientes tiveram uma EQM. Os níveis de oxigênio, gás carbônico, sódio e potássio, entre os que tiveram e os que não tiveram EQM, só diferiu um pouco em relação ao oxigênio, um pouco maior no grupo que teve EQM. Assim, embora pequeno, o estudo já sugeria que poderiam ser descartadas as hipóteses da falta de oxigênio, e do excesso de gás carbônico, como causadores de EQMs.
A hipótese das drogas administradas também pôde ser descartada.
Também foi testada a hipótese de a religião ter contribuído para a experiência. Conforme o Dr. Parnia, dos que passaram por EQM, todos eram cristãos, com a exceção de um, convertido pagão 10 anos antes. Contudo, não apareceram detalhes específicos do cristianismo nas EQMs, mas sim, seguiam vários dos detalhes descritos pelo Dr. Moody em seu livro.
Não pôde ser testada a hipótese transcendental, uma vez que nenhum paciente relatou que teria flutuado acima do seu corpo.
Uma das pessoas que passaram por EQM no estudo do Dr. Parnia relatou o seguinte:
“Não sei o que aconteceu, mas eu apenas me senti muito tranqüila e numa certa distância no canto da sala vi uma construção – parecia a moldura de uma porta – e meu pai, que morreu muitos anos atrás, estava lá de pé. Fiquei extasiada pelo que estava acontecendo e comecei a caminhar na direção dele. Ele então me olhou, levantou a mão, como para me dizer: pare. Ele me disse que eu tinha de voltar. Senti que, se transpusesse aquela porta, não poderia mais voltar...não me lembro de mais nada da experiência.”
Enquanto estava em andamento o estudo do Dr. Parnia, várias pessoas, que ficaram sabendo de suas pesquisas, entraram em contato com ele, relatando suas próprias experiências. Abaixo, transcrevemos dois relatos:
“Meu filho Andrew, então com três anos e meio, foi internado no hospital com um problema cardíaco... ele teria de fazer uma operação no coração...
Cerca de duas semanas após a cirurgia, ele começou a perguntar quando poderia voltar para visitar aquele lugar lindo com todas aquelas flores e animais. Eu disse: ’iremos ao parque em alguns dias quando você estiver se sentindo melhor’. ‘Não’, ele disse, ‘Não quero ir ao parque, estou falando do lugar ensolarado que eu fui com a moça’. Perguntei: ‘Qual moça?’. Ele respondeu: ‘A moça que voa’. Disse a ele então que não havia entendido e que eu devo ter esquecido onde era esse lugar ensolarado e ele então falou: ‘ Você não me levou lá. A moça veio e me pegou. Ele segurou minha mão e nós voamos... você estava fora quando estavam costurando meu coração... foi legal, a moça cuidou de mim, ela me ama, não fiquei com medo, foi muito bom. Tudo era brilhante e colorido, (mas) eu queria voltar pra ver você outra vez’. Perguntei a ele: ‘Quando você voltou, você estava sonhando, acordado, ou adormecido?’, e ele disse: ‘Estava acordado, mas eu estava lá em cima no teto e, quando olhei pra baixo, eu estava deitado na cama com meus braços encolhidos e os doutores fazendo alguma coisa no meu peito. Tudo era muito brilhante e logo eu voei de volta para baixo...’
Um ano após a operação, estávamos assistindo ao Children’s Hospital e uma criança estava passando por uma cirurgia do coração. Andrew ficou bastante animado e disse: ‘Eu tinha aquela máquina’(uma máquina de circuito de passagem). Eu disse: ‘não acho que você tinha’. Ele falou: ‘Sim, eu tinha, sim’. ‘Mas’, eu disse, ‘ Você estava adormecido quando fez sua operação, então você não teria visto nenhuma máquina’. Ele falou: ’Eu sei que eu estava adormecido, mas eu conseguia ver quando olhava pra baixo’. Eu disse: ‘Se você estava dormindo, como conseguia olhar pra baixo?’ você sabe, eu falei para você, quando eu voei com a moça...’’’.
[Um dia] eu mostrei a ele uma foto de minha mãe (que havia falecido) quando ela tinha minha idade agora, e ele falou: ‘É ela. Essa é a moça’’’.
Outro relato:
“...durante minha operação, fiquei flutuando ao redor da sala de cirurgia. Eu conseguia ver o cirurgião e as enfermeiras trabalhando em meu corpo, embora agora não consiga me lembrar de quantas pessoas havia lá. Eu também consegui ouvir suas conversas... o cirurgião disse que deixaria a ferida aberta para que secasse, porque o apêndice tinha inchado. Ele então me visitou na enfermaria após a operação para explicar o que tinha feito, mas eu já sabia, porque tinha escutado tudo. Ele disse que eu não poderia tê-lo ouvido e sugeriu que talvez uma enfermeira estivesse ao meu lado na cama e tivesse me contado... eu não contei a ele que havia visto a operação ser feita...”
O Dr. Parnia sabe que o estudo-piloto não foi suficiente para responder todas as perguntas. Um novo estudo, liderado por ele e coordenado pela Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, em 25 hospitais na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, começou desde setembro de 2008, e deverá examinar experiências de quase-morte em 1500 pacientes, sobreviventes de ataque cardíaco, durante 3 anos. Os especialistas vão verificar se as pessoas que tiveram suspenso o seu batimento cardíaco ou atividade cerebral podem ter experiências de se ver fora do próprio corpo. O estudo é intituladoAware (sigla inglesa para "consciência durante ressuscitação").
Para testar a "visão de cima", os pesquisadores vão instalar prateleiras especiais em áreas de atendimento de emergência dos hospitais. Elas deverão conter fotografias que só podem ser vistas de cima.
As pesquisas do Dr. Parnia podem ser acompanhadas pelo site:
www.horizonresearch.org
Em seu livro, que mencionamos acima, ele faz a seguinte declaração:
“Até mais recentemente, eu costumava acreditar que os processos cerebrais levavam à formação da consciência e da mente, embora, como todos os outros cientistas, eu não sabia como. Entretanto, estudar as experiências de quase-morte em sobreviventes de parada cardíaca me fez questionar minhas opiniões, como a falta de mecanismos biológicos plausíveis que informem a causa da consciência em processos cerebrais. Eu agora decidi manter a mente completa e absolutamente aberta e deixar a evidência tomar minha opinião. Afinal, como já mencionado, esta não seria a primeira vez na ciência que um ponto de vista prevalecente foi provado ser errado. Pessoalmente, tive de aceitar que a formação da consciência está longe de ser clara”
Os fenômenos relatados pelas pessoas que passaram pelas experiências de quase morte são bastante familiares ao Espiritismo, e confirmam seus postulados, juntamente com vários outros fenômenos estudados por pesquisadores não Espíritas, como: milhares de casos, ao redor do mundo, de crianças de pouquíssima idade que lembram de suas vidas passadas, estudados pelo médico americano Ian Stevenson e outros; a Transcomunicação Instrumental, quando os Espíritos se comunicam por equipamentos eletrônicos (gravadores de áudio e vídeo, televisores, computador, etc.), estudados por vários pesquisadores ao redor do globo, entre eles brilhantes engenheiros eletrônicos.
A ciência vai, pouco a pouco, confirmando os ensinamentos da Doutrina Espírita, à medida em que os cientistas abrem suas mentes para possibilidades além daquelas proporcionadas pelo paradigma do materialismo radical, este, a cada dia, mais frágil perante os fatos.
Como vimos, no início deste texto, os Espíritos Superiores da codificação já falavam de EQMs há mais de 150 anos atrás. Com certeza, e isso inclusive é uma hipótese formulada pelo Dr. Parnia, todas as pessoas, cujo coração e o cérebro pararam, passaram pelas EQMs, porém apenas uma pequena parcela delas se lembra dos acontecimentos. É uma concessão que a Espiritualidade Superior, com a permissão de Deus, faz a essas pessoas, e também a nós, para nos mostrar que a morte nada mais é do que a passagem para a Vida Maior
"Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre, tal é ¡ lei"
Allan Kardec.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O JOVEM ESPÍRITA NA SOCIEDADE


O JOVEM ESPÍRITA NA SOCIEDADE
Autor: Marcos LeiteRevista Cultura EspíritaAno IV – Nº 37 – Página: 17 – Abril de 2012
ICEB – Instituto de Cultura Espírita do Brasil – Rio de Janeiro
 
Definitivamente, ser jovem nos dias de hoje não é nada fácil. Ser jovem espírita, então, é mais difícil ainda. Afinal, a sociedade atravessa um momento de transição, onde todos os valores tradicionais são colocados na berlinda, contestados, mas sem que ainda se tenha um novo paradigma ou novas propostas para substituir o modelo anterior. No caso do jovem espírita, ele ainda precisa falar lidar com os preconceitos da própria Doutrina, que se confronta em diversos pontos com os apelos da instantaneidade, sensualidade e consumismo que tanto seduzem a todos nós na atualidade.
 
São inúmeros os desafios a serem enfrentados pelo jovem espírita hoje. As propostas e modelos sociais estão em xeque. O conceito de “globalização” impõe, praticamente sem resistência, o domínio do capital transnacional, sem pátria, sem bandeira e sem escrúpulos. Por sua vez, a falta de critérios justos na movimentação das riquezas oriundas desse capital sem pátria coloca hoje toda da economia mundial em profunda crise.
 
No campo do comportamento, também a sociedade se encontra num momento de indefinição, de incertezas. Na sexualidade, o rumo foi perdido. Transita-se desde o conservadorismo e puritanismo hipócrita e exacerbado até a libertinagem indiscriminada. Na questão de usos e costumes, enfrentamos uma padronização baseada no “marketing”, na “marca”, na “etiqueta”. O indivíduo é convencido que tem que possuir e consumir a “marca” porque esta existe, e não mais por suas reais necessidades.
 
Também somos convencidos a adotar comportamentos sociais padronizados, estereotipados, que nos são vendidos pelos meios de comunicação como sendo normais, da vida real, do dia-a-dia. Na busca da interação social, difícil em casa pelas dificuldades do mundo moderno, o jovem busca a “proteção” da “turma”, da “gangue”, o que o leva a muitas vezes à uniformização, à estandardização, à mediocridade da média padronizada. A “turma” cobra o preço da “proteção”, que é a aceitação e repetição do comportamento da “tribo”, a aceitação de que aquilo é correto, que os errados são os que daquela forma não procedem. Na “turma”, o senso crítico é abafado.
 
Mas adiante de todo esse cenário problemático, o que o jovem espírita deve fazer? Acima de tudo, seguir a lei de justiça, amor e caridade, como cabe a um verdadeiro Homem de Bem. Ele deve interrogar a sua consciência sobre seus próprios atos, e a si mesmo perguntar se suas atitudes não violentarão as leis naturais, fazendo aos outros tudo o que desejaria que lhe fizessem. Por ser jovem, ele tem tudo a construir, e construindo, pode mudar o mundo.
 
A sociedade atual exige que o jovem espírita informe-se, desenvolva seu espírito crítico, instrua-se. Ele deve viver intensamente a vida, sempre com o cuidado de não “trombar” com as Leis Naturais. Deve exercitar a paz, a paciência, a não violência, a dialética como sinalizadora do trânsito entre diferentes opiniões e tendências. Deve exercitar a mudança e a evolução constante, pela participação efetiva na sociedade, na escola, em casa e na casa espírita. Não pode calar-se com as injustiças, nem omitir-se na participação societária. Não deve ter vergonha da exemplificação correta, nem do abandono da mediocridade. Deve usar a experiência dos mais velhos para facilitar a elaboração do seu projeto de vida, e ao mesmo tempo a ousadia da juventude para se propor num projeto mais ousado. Deve ter a consciência e assumir a responsabilidade de que a mudança só é possível quando existe flexibilidade, quando a razão e a emoção se encontram numa mentalidade que ainda pode ser mudada, e que se dispõe a estar mudando, e que isto é uma característica do jovem.
 
Resumindo: sem sombra de dúvida, o mundo só mudará para melhor, num caminho pacífico e controlado, se os jovens decidirem que irão mudá-lo dessa maneira, numa construção individual, que na evolução das gerações, levará à evolução e construção coletiva. Para tanto, a famosa frase de Kardec é sempre atual: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas más inclinações”.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PARTIDARISMO NO CENTRO ESPÍRITA: SUTILEZAS


PARTIDARISMO NO CENTRO ESPÍRITA: SUTILEZAS

Em um grupo espírita sério, a prática político-partidária ostensiva é uma grande aberração. É difícil até imaginar que as cenas a seguir possam ocorrer: o dirigente conduzindo um candidato a tiracolo, apresentando aos membros do grupo como seu escolhido e pedindo voto; permitir que seja colocado cartaz de campanha no mural do centro espírita; oferecer oportunidade para que o candidato se pronuncie na tribuna e peça apoio de todos; aceitar que o político divulgue que é o candidato do centro espírita.

Tais práticas absurdas seriam rechaçadas pela maioria dos espíritas, pois as formas como ocorrem as disputas político-partidárias destoam dos ideais espíritas de solidariedade, político-partidária e da busca pela harmonia entre os indivíduos. No entanto, o partidarismo pode estar presente nas casas espíritas de forma sutil, a comprometer o seu funcionamento ou a sua credibilidade. É importante ficarmos atentos a essas sutilezas.

1. APOIO PARA AS ATIVIDADES DO CENTRO EM TROCA DE PROPAGANDA – É muito comum o Centro Espírita procurar a comunidade para apoiar suas atividades (encontros, seminários, feiras...) e quando consegue a contribuição de empresas, por exemplo, retribui com a propaganda em panfletos, camisetas e cartazes do evento. Pode ocorrer que um político ofereça apoio em troca da mesma divulgação, o que evidenciaria uma ligação entre o candidato e a instituição espírita. O mais sensato é não procurar os políticos e se estes oferecerem alguma contribuição, esclarecê-los que somente poderiam aceitar se não fosse em troca de divulgação do seu nome.

2. PALESTRANTES CANDIDATOS – A partir do momento que confirma sua candidatura a um cargo eletivo, o mais sensato é que o próprio palestrante abdique, durante a campanha, de usar a tribuna, mesmo que não aborde temas da política. Se não for por iniciativa pessoal, a direção deve cuidar em afastá-lo, para não gerar a vinculação de sua prática partidária com as atividades do centro.

3. “PANELIHAS” E GRUPOS ISOLADOS – Cuidar para que a formação de grupos não seja fundada em critérios políticos estranhos às propostas espíritas, pois esta prática cria dissensões e desagrega o conjunto, enfraquecendo as atividades da casa espírita, podendo provocar a sua própria dissolução, em virtude das intrigas internas que gera. Esta preocupação é maior nas casas espíritas de cidades pequenas, onde qualquer coisa vira disputa partidária.

4. ESPÍRITA CANDIDATO QUE AUMENTA SUA FREQUÊNCIA AO CENTRO – Após se candidatar, o parceiro de ideal frequenta mais intensamente a casa espírita, onde aparece mais sorridente, atuando em atividades que antes não participava e, ainda que não fale de política, demonstra mais cuidado com as pessoas. Esta preocupação pode indicar interesses obscuros disfarçados em atenção ao semelhante.

5. DIRIGENTES E MEMBROS DO GRUPO PEDINDO VOTO FORA DO CENTRO – Mesmo que fora da instituição, os membros das casas espíritas e seus dirigentes precisam tomar muito cuidado ao fazer campanha partidária, pois os seus pedidos de voto podem parecer uma troca de favores por um benefício recebido, contradizendo a máxima do "dai de graça".

Muitos cuidados devem ser tomados pelos centros espíritas para que a política partidária não gere atritos ou alguma forma de manipulação. Devemos agir com bom senso para não comprometer os nobres ideais espíritas com interesses passageiros e gananciosos.

Observação: sugiro a leitura do capítulo 10 do livro Conduta Espírita (André Luiz, através de Waldo Vieira, publicado pela FEB), com o título Nos Embates Políticos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

DISCIPLINA


"Ninguém disciplina ninguém. Ninguém se disciplina sozinho. Os homens se disciplinam em comunhão mediados pela realidade"
Paulo Freire
Disciplina é uma palavra de larga aplicação no livro da vida. Podemos considerá-la uma virtude pessoal e intransferível, que ornamenta nosso espírito quando vem por aquisição, mas que pode às vezes violentá-lo, quando dele se acerca por imposição. A disciplina pode ser boa ou má, dependendo da situação daquele que a impõe e daquele que deve submeter-se. Quando Gandhi rebelou-se contra a política inglesa e estabeleceu a revolução pacifica da não-violência, foi taxado de indisciplinado pelos ingleses. Mas, para consigo e seu povo, exigiu uma disciplina férrea de não agressão a seus opositores, nem mesmo pelo pensamento. Galileu, o sábio italiano, foi indisciplinado segundo as normas da igreja, mas fiel e disciplinado para com a ciência, a quem serviu e defendeu com todo ânimo. Einstein era "desligado" em certas aulas porque os assuntos ministrados eram desestimulantes para o seu raciocínio avançado. A chamada noite de São Bartolomeu, na qual Catarina de Médicis mandou apunhalar os protestantes franceses, foi um ato cometido em nome da disciplina religiosa. O que estamos querendo dizer é que disciplina tem direção e sentido, os quais devem ser coerentes na aplicação e justos na causa.
Quem se aproveita do autoritarismo para travestir-se de disciplinador, criando normas despóticas e arbitrárias, é apenas prepotente, servo da arrogância e escravo da tirania. A disciplina é firme e dócil, enérgica e suave para quem a compreende. Não é sinônimo de castigo, mas de ordem e respeito aos objetivos propostos como meta por quem lhe adotou a companhia. Não tendo um fim em si mesma, essa responsável educadora deve ajustar-se às necessidades atuais de cada indivíduo, evoluindo com ele, trabalhando-lhe o Espírito no paradigma da justiça. Vencidas as dificuldades e necessidades que a disciplina enfrentou, a fiel educadora poderá mudar a sua atuação, pois sendo feita para o homem, deverá acompanhá-lo em suas carências e em seu crescimento.
Para alguns principiantes nas hostes da disciplina ela poderá parecer, uma acompanhante rigorosa, que tolhe iniciativas, castra desejos, dá ordens. Na verdade, se a disciplina não faz o papel de buril, lixa, tesoura ou algo que modele, desbastando contornos indesejáveis e arestas desnecessárias, ela falha em sua aplicação fundamental, pois não fará brilhar no Espírito a beleza encoberta pela capa da indiferença às leis divinas. Falo aqui da disciplina religiosa, aquela que induz o indivíduo à auto-regulação, amoldando-se aos objetivos à serem colimados como meta de sua fé.
Quando se resolve ser espírita, tem-se invariavelmente um encontro marcado com a disciplina. Mesmo que não seja o "vigiai e orai", estágio disciplinar mais avançado, o principiante espírita deverá sair da rotina do comodismo, para a conscientização de suas necessidades evolutivas. Aos poucos ele vai descobrindo que na casa espírita os minutos revestem-se de maior significação, aproveitados no trabalho, no estudo doutrinário, no esclarecimento dos problemas existenciais, no fortalecimento da amizade, na gentileza ou nos afagos da caridade. Ali, o anedotário vulgar, o falatório impiedoso, a critica maldosa não prevalecem, pois não encontram receptividade para expandir-se. A dor alheia é sempre motivo de busca aos antídotos contra os venenos que a causaram, e a desgraça é sinal verde para a passagem da fraternidade restauradora. A disciplina é moradora, e não visitante dos centros espíritas, pois aquele que a despede manda igualmente embora as rédeas da instituição. Disciplina e caridade formam o dueto maior de um templo espírita, atuando conjuntamente sob a orientação do bom senso. A disciplina, nesse contexto, não deve ser tão rígida que atropele a caridade, e esta deve ser suficientemente racional para não descaracterizar a disciplina.
A disciplina é uma virtude divina, usada em todo o universo em seus aspectos macro e micro. Desde as galáxias aos nossos órgãos vitais, passando pela queda das flores e o pequenino átomo, esta virtude impõe suas diretrizes para que a harmonia não sofra defasagens. O fugitivo da disciplina vai de encontro a própria natureza quando, transportando-a dentro de si, em sua configuração anatômico-fisiológica, dela procura ausentar-se em processo de fuga infantil e sem saída. Sob esse prisma o indisciplinado é um fora da lei, que precisa ajustar-se ao roteiro benéfico para ele criado, visando proporcionar-lhe os benefícios da paz, fruto imediato do dever cumprido. Nenhum Espírito há que tenha ingressado em um mundo superior sendo indiferente à disciplina. Ninguém há que ame a si e despreze a disciplina. Ninguém que busque a Deus pelos caminhos da indisciplina. A disciplina é companheira assídua da afetividade. Por esse motivo, qualquer pessoa que tente impor disciplina através de gritos e ameaças(cumpridas ou não) revela desconhecimento do tema. Neste caso, as palavras tentam obter a obediência ou mesmo a colaboração, mas na maioria das vezes obtêm apenas representações. Enquanto presente, a revolta muda usa a máscara da obediência e da participação, mas ao afastar-se o ditador prevalece o clima de desagrado e rebeldia. O pseudo-disciplinador pode até dizer: aqui eu mando e sou obedecido. Mas deveria complementar: e sou odiado. A atitude de firmeza e serenidade, a força vigorosa da delicadeza é que levam a uma disciplina por aquisição. Ao iniciar a colaboração no processo disciplinar, o indivíduo, de livre vontade, assume o engajamento nas mudanças, despertando o espírito para as reformas interiores que se refletem nos comportamentos exteriores.
Em algumas pessoas, a parte afetiva encontra-se soterrada sob camadas de mágoas, tristezas, ressentimentos, medo, frustração, raiva... Cabe ao disciplinador retirar o entulho depressivo ou rebeldia, para atingir o núcleo da afetividade que existe em todas as pessoas. Não é assim na desobsessão? O obsessor, rebelde a princípio, não vai perdendo as sucessivas camadas de sentimentos inferiores, demonstrando por fim o desejo de renovação, mola propulsora do seu refazimento?
O homem religioso sente necessidade de disciplinar seu Espírito dentro do "espírito" da verdade. A religião em si, de origem divina, mas administrada por humanos que introduzem nela seu personalismo, apresenta-se em muitas ocasiões carregada de vícios, incentivando a fé irracional ou morta, garroteando a autocrítica de seus seguidores. Muitas ainda em fase de seita salvacionista, pretendendo a posse exclusiva da verdade, apresentando-se como via única de salvação. Assim procedendo, amesquinha a idéia da dimensão de Deus, que é mostrado sob ótica estrábica, como o velho e ciumento Deus do Antigo Testamento, que distribuía privilégios indiscriminadamente. Agem como se Deus, o Senhor da Vida, pudesse colocar em mãos torpes a sua verdade universal e atemporal, luz demais para pobres lamparinas. Mas, muito antes de Moisés, a verdade do budismo já maravilhava o mundo com a sua simplicidade e beleza, antecipando a mensagem luminosa de Jesus. Não é sem razão que o Espiritismo e o Budismo sejam as religiões que mais crescem no Brasil. Religiões que primam pela disciplina espiritual, levando à meditação libertadora, priorizando as virtudes espirituais, sem o obsessivo desejo de posse, sem a cobiça aos bens materiais.
Quando Jesus mencionou a "porta estreita", o "negar a si mesmo", o "tomar a sua cruz", estava falando de quê? Não seria de renúncia, uma das velhas companheiras da disciplina? Para entrar pela porta estreita é necessário rigorosa dieta espiritual, forçando a obesidade inútil das nossas imperfeições a diluir-se pela ginástica do amor. E para isso o cardápio não traz como prato principal a disciplina? Para tomar a cruz aos ombros é urgente negar a si mesmo, reafirmando não o eu mundano, mas o eu divino, essência final da evolução.
A disciplina é a madeira mágica da cruz. Quem a ela se submete de bom grado, a tem com ares maneirosos, e quem contra ela se rebela, a encontra com apêndices onerosos. Lembramos aqui que carregar a cruz é uma atitude difícil para a grande maioria de inconformados do mundo, que não entendem por que sofrem, nem para que sofrem, alienados pelos ensinamentos de suas religiões dogmáticas. O homem que auxiliou Jesus a carregar a mais bela cruz do planeta o fez por imposição irrecusável, como constrangidos são milhões de criaturas, para cumprirem suas obrigações cotidianas.
No Centro Espírita, o bom senso não pode ser exceção. A ausência dele é regra que não se aplica aos que querem servir ao bem. O cidadão comum come, bebe, trabalha, deita e procria. Do espírita exige-se algo mais, que o retire da extensa lista dos acomodados: a disciplina. E ela se afirma no esforço de renovação, que deve ser feito a cada dia. É esse esforço que nos pacifica e rejuvenesce. Perseguindo incessantemente a velha aspiração de paz e justiça, de fraternidade, de amor ao próximo e a si mesmo - essência da pedagogia cristã - o espírita está perseguindo o ideal da doutrina, o saudável ideal que lhe mantém o entusiasmo, mesmo ali, onde os outros fraquejam e capitulam.
Disciplinemos nossas emoções para que elas não nos disciplinem. Lembremo-nos de que, para o cavalo a disciplina pode ser as rédeas, mas para o Espírito imortal ela tem que ser o amor e o conhecimento em toda a sua imensa gama de atuações. E não esqueçamos nunca: o advérbio de negação também consta da gramática do amor, no extenso capítulo da disciplina.



O MENSAGEIRO.

Como um cristão deve evangelizar um irmão espírita?